Mundo
14/10/2007 - 14h40

Reino Unido alerta para problemas psicológicos de veteranos do Iraque

da Folha Online

A retirada de centenas de soldados britânicos do Iraque deixa em alerta médicos e enfermeiras, que estão preocupados não apenas com as feridas físicas, mas também com os traumas psicológicos desses veteranos.
As tropas do Reino Unido tomaram parte de batalhas durante seis anos no Afeganistão e quatro anos no Iraque.

Na semana passada, o governo tomou medidas para cuidar de ambos os aspectos do problema, em meio a críticas das famílias de que os soldados que retornaram não receberam assistência adequada após lutarem em guerras impopulares.

O governo vai aumentar para US$ 570 mil (pouco mais de R$ 1 milhão) a soma total reservada para indenizações de soldados severamente feridos em ataques na frente de batalha.

Outra medida crucial foi aumentar em 45% as verbas para o fundo de combate ao estresse, instituição criada após a Primeira Guerra Mundial (1914-18) para ajudar soldados que sofriam de problemas mentais severos induzidos pela guerra, hoje conhecidos como síndrome de estresse pós-traumático.

A decisão de elevar os repasses para o fundo ocorreu após a descoberta de evidências de que mais soldados retornaram do Iraque e do Afeganistão com danos psicológicos na comparação dos militares que participaram dos conflitos anteriores.

A razão pode estar na intensidade e imprevisibilidade das batalhas atuais. "Na Segunda Guerra Mundial [1939-45], um soldado geralmente sabia, enquanto lutava, o que ia acontecer nos próximos dias seguintes e estava preparado para isso. No Iraque, é tudo muito inesperado. Nada pode acontecer por dias ou semanas e em uma patrulha comum, uma bomba explode. Essa imprevisibilidade pode ser muito perturbadora", afirma Nigel Hunt, pesquisador de saúde mental na Universidade de Nottingham e um especialista em estresse pós-traumático.

Representantes do fundo de combate ao estresse relatam casos de soldados de 21 anos que buscam ajuda apenas 11 meses após se retirarem dos conflitos. Antes do Iraque e do Afeganistão, militares reclamavam de problemas psicológicos às vezes 13 anos depois.

"Isto é apenas a ponta do iceberg. O futuro vai ser interessante. Em cinco anos, quem pode dizer quantos soldados que retornaram do Iraque e do Afeganistão vão precisar de apoio?", questiona Robert Marsh, um porta-voz do fundo.

O Ministério da Defesa afirma que somente um pequeno número de soldados vindos dessas duas frentes de batalha apresentaram a síndrome do estresse pós-traumático --oficialmente, três em cada 1.000. Especialistas, no entanto, dizem que a estatística contempla apenas os veteranos que permaneceram nas forças armadas, que dispõem de apoio institucional. Os sintomas do "estresse" pode aparecer quando esses soldados se desligam da força.

Com agência Reuters

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Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (3) 15/01/2008 14h41
Ricardo Perrone (3) 15/01/2008 14h41
O Iraque hoje é um território americano. Não se pode chamar uma administração supervisionada de país! Tentar mostrar isso de outra maneira é "tapar o sol com a peneira". Me preocupa quando os meios de comunicação tentam mostrar a resistência iraquiana como insurgentes ou terroristas. É claro que depois da invasão desastrosa o Iraque virou uma escola para terroristas, mas é preciso separar claramente o que são atividades terroristas, do que são atividades de resistência à ocupação! Os americanos estão claramente interessados no petróleo iraquiano e em sua posição estratégica dentro do Oriente Médio. Nunca se importaram com a opressão, nem mesmo na época de Saddam, e por isso as torturas e opressões são praticadas amplamentes no Iraque atual. O que se vê nos meios de comunicação é apenas a versão filtrada dos fatos. A realidade é bem mais dura e difícil para quem vive por lá. Mesmo que o exército iraquiano seja capaz de se defender de outros. Não terá como se defender dos próprios americanos, pois ninguém "cria cobra para ser mordido depois". E é altamente provável que os americanos imponham uma base militar em solo iraquiano, mesmo depois dos prazos para a retirada! Isso é uma forma de imperialismo moderno, mais adaptado ao dias atuais. sem opinião
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Célio Rodrigues (17) 14/10/2007 22h29
Célio Rodrigues (17) 14/10/2007 22h29
GOIANIA / GO
Caros leitores da Folha on Line:
Em meu comentário sobre os soldados ingleses, cometi tres erros. Escrevi "iraqueanos". A palavra correta é "iraquianos", com "i" e não com "e". Errei também quando escrevi; "o presidente Bush preferiu ouvir seu vice". Saiu "o presidente Bush preferiu ouvir se vice" ao invés de "seu". Serei mais atento em futuros comentários. Obrigado. E desculpem-me.
sem opinião
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Célio Rodrigues (17) 14/10/2007 20h12
Célio Rodrigues (17) 14/10/2007 20h12
GOIANIA / GO
Os soldados ingleses que combateram na Segunda Guerra Mundial (1938-1945) lutavam nos fronts e nas cidades em "batalhas convencionais": sabiam onde o inimigo estava e os atacava, ambos usando unirformes que os identificavam. Geralmente, a população civil era evacuada. Nas cidades iraqueanas, principalmente Bagdá, os insurgentes se misturam aos habitantes comuns. E por usarem roupas civis, levam a grande vantagem da surpresa. Os soldados americanos, ingleses e demais participantes da coalizão , são os verdadeiros "sitting ducks" (patinhos no lago-alvo fácil). Bagdá tranformou-se em uma Stalingrado, onde os alemães eram atacados tanto por soldados russos como por "parteggiani" (civis armados). Bush, como Hitler, subestimou grosseiramente os combatentes iraqueanos. O lendário general prussiano Karl von Clausewitiz(1780-1831), autor da célebre frase, "a guerra é a continuação da diplomacia por outros meios" é também autor do não-menos célebre livro "Da Guerra" em que afirma no livro 1, primeiro capítulo: "ninguém deve começar uma guerra sem ter na mente o real objetivo dessa guerra e como pretende conduzí-la". Bush, possivelemte não leu esse livro e preferiu ouvir se vice, Dick Cheney que previu que os soldados americanos seriam recebidos com música pelos iraqueanos."... Preferiu também ouvir seu antigo subsecreatário de Defesa, Paul Wolfowitz (aquele, do Banco Mundial) que que previra que os "soldados seriam recebidos com flores"... sem opinião
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