China propõe negociação de paz com Taiwan; ilha rejeita proposta
da Folha Online
O presidente da China, Hu Jintao, propôs negociações de paz para um acordo formal com Taiwan nesta segunda-feira em um discurso na abertura do 17º Congresso do Partido Comunista da China. No entanto, entre as condições prévias impostas por Hu para tal acordo excluem a possibilidade de reconhecimento da independência da ilha. Taiwan rapidamente rejeitou tais negociações.
Taiwan é considerada por Pequim uma "Província rebelde", embora funcione como um país autônomo. A entidade política não é reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e não faz parte das principais organizações internacionais.
| Jianan Yu/Reuters |
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De qualquer maneira, o discurso de Hu se diferenciou por não enfatizar o caráter bélico característica de discursos prévios em tal ocasião. Ele afirmou que Pequim prefere negociar em paz um acordo para o conflito de 58 anos com Taiwan.
"Nós gostaríamos de fazer um apelo solene: no princípio de uma só China, vamos discutir um acordo formal para terminar com o estado de hostilidade entre os dois lados e chegar a um acordo de paz", disse Hu a membros do partido e da elite militar no auditório.
O governo de Taiwan rejeitou nos últimos anos o conceito de uma só China --utilizado pela China continental para ressaltar que não aceita a independência taiwanesa-- e pediu negociações sem condições prévias, algo que Pequim rejeita.
Na última década, Taiwan caminhou para uma independência formal, fazendo com que Pequim ameaçasse utilizar força.
Hu disse que as forças para a independência de Taiwan devem parar com que ele qualificou de "atividades separatistas", que minam as chances de paz entre os dois lados. Ele afirmou que a China e Taiwan devem lutar para se opor e reprimir tais grupos e se ofereceu para trabalhar com qualquer figura política em Taiwan, desde que esteja claro de que a ilha é parte da China.
Como as Olimpíadas de Pequim ocorrem em agosto do próximo ano, há a preocupação, segundo a Associated Press, entre as autoridades chinesas, de que Taiwan teste os limites da tolerância chinesa neste período.
"Nós queremos fazer qualquer esforço para chegar a uma reunificação pacífica dos dois lados e nós nunca permitiremos a ninguém que separe Taiwan de sua pátria por nenhum nome ou maneira", disse Hu.
Apesar do discurso mais leve de hoje, Hu continua uma expansão militar vigorosa e o presidente pediu a continuidade de tal programa em seu discurso.
Resposta
Hsieh Jyh-wey, porta-voz do governo de Taiwan, rejeitou hoje a oferta de Hu.
"O povo de Taiwan pode se colocar junto ao povo chinês a favor da democracia e dos direitos humanos, mas dificilmente pode negociar a paz com um governo que oprime o Tibete, mata seus próprios cidadãos e apóia o governo militar de Mianmar", afirmou Hsieh.
"Se o presidente Hu quer se unir com Taiwan, deve escutar a voz de seu povo", disse ainda Hsieh, ao comentar que na ilha não se adotam medidas que sejam contra a vontade popular e que isto é parte da democracia.
O porta-voz ainda disse que Taiwan aceita uma futura unificação com a China, mas baseada em democracia, liberdade e prosperidade.
Com Associated Press e Efe
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