Mundo
15/10/2007 - 18h31

Secretária de Estado dos EUA pede criação de Estado palestino

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da Folha Online

A secretária de Estados dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse nesta segunda-feira que o momento para a criação de um Estado palestino é agora. Rice visita o Oriente Médio em uma missão de quatro dias que serve de preparação para uma conferência que ocorrerá em novembro na cidade de Annapolis, no Estado americano de Maryland. A missão de Rice está em seu segundo dia.

Em um de seus mais fortes discursos sobre o assunto, Rice disse que a criação de um Estado palestino é um interesse-chave dos EUA e pediu a palestinos e israelenses que deixam demandas contenciosas para chegar a um consenso antes da conferência internacional.

Loay Abu Haykel /Reuters
Secretária de Estado pediu criação de Estado palestino durante visita ao Oriente Médio
Secretária de Estado pediu criação de Estado palestino durante visita ao Oriente Médio

"Francamente, é hora de estabelecer um Estado palestino", disse Rice, ao lado do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

"Os EUA vêem o estabelecimento de um Estado palestino e a solução de dois Estados como absolutamente essenciais para o futuro, não apenas de palestinos e israelenses, mas também para o Oriente Médio e para os interesses americanos", disse Rice.

"É realmente uma mensagem que eu acho que somente eu posso entregar", disse Rice. A secretária enfrenta desafios ao tentar trazer os dois lados próximos o suficiente para a realização da conferência. Ela disse que espera voltar à região uma vez mais antes que a reunião ocorra.

Rice encontrou membros do governo israelense neste domingo e hoje se reuniu com Abbas. A secretária visitará representantes de Israel e palestinos mais uma vez na próxima quarta-feira (17), após visitar o Egito nesta terça-feira. Então ela viajará a Londres para encontrar o rei da Jordânia, Abdullah 2º em uma tentativa de angariar apoio de mais países de maioria árabe.

Em seus discursos em Jerusalém e na Cisjordânia, Rice disse que presidente dos EUA, George Bush, espera, que o documento assinado em Annapolis coloque fim ao conflito árabe-israelense.

Questões críticas

Muhammed Muheisen/AP
Rice se encontrou nesta segunda-feira com o presidente da Autoridade Nacional Palestina
Rice se encontrou nesta segunda-feira com o presidente da Autoridade Nacional Palestina

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que ele não vê o documento como um pré-requisito para a conferência. Ele quer que o documento seja tão vago quanto possível em relação a questões críticas como as fronteiras do possível Estado palestino, o status de Jerusalém, os assentamentos israelenses e a questão dos refugiados palestinos, segundo a Associated Press.

Ao mesmo tempo, Olmert deu sinais hoje de que está pronto para dividir o controle de Jerusalém, ao dizer pela primeira vez que Israel pode ceder parte da cidade sagrada a vizinhanças árabes.

Os palestinos, no entanto, disseram que não irão à conferência sem um documento que contenha detalhes e prazos específicos para as questões conflituosas.

"Não há dúvida que antes de nós irmos [à conferência], o documento estará pronto", disse Abbas, cuja autoridade foi limitada à Cisjordânia desde que o grupo radical islâmico Hamas tomou o controle da faixa de Gaza em junho.

"As negociações não devem ser abertas, mas sim sujeitas a períodos de tempo", disse Abbas.

Sobre a questão dos prazos, Rice disse que não está certa se datas específicas devem ser estipuladas para questões. Ela também afirmou que o detalhamento de questões não reflete a validade de um acordo.

Rice, que conversou com Abbas em Ramallah, disse que a conferência será séria e substantiva. "Nós francamente temos coisas melhores para fazer do que convidar as pessoas para Annapolis para uma foto", disse Rice.

Equipes de negociadores israelenses e palestinos se encontraram em Jerusalém hoje por mais de duas horas, segundo o negociador palestino Saeb Erekat. Nenhum progresso sobre um possível documento comum foi anunciado.

Israelenses e palestinos falharam em chegar a um acordo final sobre o conflito em 2001. As duas partes expressaram preocupação de que uma onde de violência possa interferir nas negociações atuais.

Com Associated Press e Reuters

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