Mundo
16/10/2007 - 12h40

China rejeita encontro com Bush e entrega de medalha ao dalai-lama

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da Folha Online

O encontro do dalai-lama com o presidente americano, George W. Bush, e a medalha que será dada pelo Congresso americano ao líder religioso nesta quarta-feira causou indignação entre os chineses. Ontem, a China pediu que os EUA cancelem a cerimônia de entrega da Medalha de Ouro, segundo a agência oficial chinesa Xinhua.

Embora o dalai-lama seja considerado uma autoridade moral em grande parte do mundo, Pequim rejeita o Prêmio Nobel da Paz que ele ganhou em 1989, e o acusa de tentar "atacar a soberania chinesa" ao defender publicamente a independência do Tibete.

Yuri Gripas/Reuters
Membros da comunidade tibetana entregam tradicional doce ao dalai-lama nos EUA
Membros da comunidade tibetana entregam tradicional doce ao dalai-lama nos EUA

A China alertou que o encontro entre o líder religioso e o presidente americano, George W. Bush --previsto para ocorrer nesta terça-feira na Casa Branca-- e a medalha de ouro dada pelo Congresso serão "prejudiciais" para as relações entre a China e os Estados Unidos.

O enviado especial do dalai-lama, Lodi Gyari, afirmou que o fato de o presidente americano se reunir com o líder religioso mostra uma clara mensagem de que as pessoas nos EUA e no mundo "se importam com o Tibete".

"Não tenho dúvidas de que isso dará um encorajamento muito grande para o povo tibetano", disse o assessor sobre a visita. "Isso também mostra à China a força que tem o dalai-lama".

O dalai-lama defende uma "autonomia real", e não apenas a independência tibetana. Mas a China demoniza o líder espiritual, e acusa os Estados Unidos de "honrar um separatista".

A visita do dalai-lama aos EUA ocorre no mesmo momento em que o Partido Comunista chinês realiza um importante congresso.

Insatisfação

"Estamos muito insatisfeitos e lamentamos o fato de que os EUA ignoraram totalmente nossos pedidos, e decidiram ir por esse caminho equivocado", disse o porta-voz da Embaixada chinesa em Washington, Wang Baodong.

"Tais medidas não são boas para as relações entre Estados Unidos e China".

Em Pequim, funcionários do governo também criticaram os planos americanos.

"Nós exigimos que os EUA cancelem os eventos equivocados [a reunião com Bush e a homenagem no Congresso americano]", disse o ministro chinês das Relações Exteriores, Yang Jiechi.

"Isso viola as normas das relações internacionais, fere os sentimentos do povo chinês, e representa interferência em assuntos internos da China", afirmou.

Reuniões

Bush reuniu-se em particular com o dalai-lama em diversas ocasiões e, segundo analistas, sua decisão de participar da cerimônia no Congresso reflete sua preocupação com o Tibete.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que Bush "entende" a preocupação chinesa. "Nós esperamos que o líder chinês [Hu Jintao] conheça o dalai-lama da maneira com o presidente [Bush] o vê: como um líder espiritual e alguém que busca a paz", disse ela.

O dalai-lama é bastante popular no Tibete, que a China domina desde que forças comunistas invadiram o país, em 1951.

Ele mora na Índia desde que deixou sua casa na região do Himalaia em 1959, em meio a uma rebelião fracassada contra o dominío chinês.

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