Mundo
16/10/2007 - 15h51

Egito anuncia apoio a conferência sobre Oriente Médio

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da Folha Online

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, disse nesta terça-feira que seu país deve apoiar a conferência sobre o Oriente Médio prevista para ocorrer em Annapolis, no Estado americano de Maryland, após conversas com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice.

Gheit disse transmitir a opinião do presidente do Egito, Hosni Mubarak, que também se reuniu com a secretária americana.

Antes da chegada de Rice hoje ao Egito, o ministro cogitou um adiamento da conferência. Na entrevista coletiva, eles se referiram à reunião como prevista para novembro ou dezembro.

Amr Nabil/AP
Secretária de Estado dos EUA sorri ao lado de ministro das Relações Exteriores do Egito
Secretária de Estado dos EUA sorri ao lado de ministro das Relações Exteriores do Egito

Um dos principais temas a ser discutido no encontro é a possível formação de um Estado palestino.

"Nós estamos encorajados porque ela [Rice] disse que está determinada e afirmou que o presidente dos Estados Unidos [George W.Bush] também está", disse Gheit. "Nós temos de acreditar neles. O que ouvimos nos deu muita confiança", disse o ministro.

"O presidente Bush elencou isto como uma alta prioridade, uma das maiores prioridades e tentará estabelecer um Estado palestino", afirmou Rice.

A missão de Rice no Oriente Médio é preparatória à conferência e foi planejada para se estender por quatro dias.

Hoje é o terceiro dia da viagem. Nos dois primeiros, ela esteve em Israel e em territórios palestinos.

A secretária de Estado voltará a Israel no último dia de sua viagem.

Ontem ela afirmou que planejava retornar à região mais uma vez antes do encontro nos EUA.

Datas

Os principais pontos de conflito para a determinação de tal Estado são a delimitação de suas possíveis fronteiras, o status da cidade de Jerusalém, os assentamentos israelenses e a questão dos refugiados palestinos.

Os palestinos querem que tais questões estejam elaboradas no documento, e que prazos para o estabelecimento de medidas sobre tais assuntos sejam estabelecidos, já os israelenses afirmam que não é necessário ser tão preciso em relação a tais pontos.

Gheit disse que há a necessidade de um prazo para completar as negociações da conferência.

Gheit disse que o Egito deseja negociar com Israel e os EUA sobre reforçar a presença militar egípcia na fronteira com a faixa de Gaza. Israel denunciou diversas vezes que há um tráfico de armas e munição via túneis entre a faixa de Gaza e o Egito.

A presença militar egípcia na região data de 1979, quando foi mediada pelos EUA, com uma recente modificação que permitiu ao Egito lotar mais militares na região.

Moussa

Rice também se encontrou com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

"Eu senti uma grande vontade dos americanos em promover uma conferência para a paz séria", disse Moussa.

"No entanto, o que nós vemos ou ouvimos sobre o lado israelense não é reconfortante. Os israelenses estão sérios [em relação à criação de um Estado palestino]? Esta é a questão-chave", disse Moussa.

Direitos humanos

Rice também aproveitou para falar da condição de liberdade de expressão no Egito.

"Nós nos preocupamos com alguns eventos políticos aqui. Eu levantei nossas preocupações sobre a detenção de jornalistas, nós sempre discutimos tais assuntos no espírito da amizade e do respeito, afirmou a secretária de Estado.

Tribunais egípcios condenaram dez jornalistas à prisão nas últimas cinco semanas por publicação de alegadas ofensas. A polícia local é acusada de prender membros da oposição.

Gheit afirmou, em relação a tal questão, que o Executivo egípcio não interfere em questões do Judiciário.

Com Associated Press e Reuters

 

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