Ex-premiê sai ilesa de ataque no Paquistão; há mais de cem mortos
da Folha Online
Um atentado contra a ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, que voltou ao Paquistão nesta quinta-feira após ficar exilada por mais de oito anos, causou a morte de cerca de cem pessoas e deixou dezenas de feridos [muitos deles em estado gravíssimo]. A ação teria sido levada a cabo por suicidas.
Segundo a agência de notícias Reuters, 80 corpos foram levados a três hospitais. Outros 35 corpos deram entrada em um quarto hospital. A agência de notícias Associated Press relata 108 mortos e 150 feridos, nas duas explosões.
A intensidade do ataque --que ocorreu quando uma multidão acompanhava o comboio da ex-premiê-- dificulta o trabalho da polícia e impede que autoridades determinem um número exato de vítimas. Imagens de redes de TV e de agências internacionais exibiram pedaços de corpos espalhados pelo chão, além de poças de sangue. Havia também muita gente desesperada, correndo de uma lado para o outro.
Após desembarcar no aeroporto de Karachi, Bhutto subiu em um caminhão para ser levada ao centro da cidade em carro aberto e, enquanto o comboio era acompanhado por uma multidão [cerca de 150 mil pessoas foram recebê-la no aeroporto], as bombas foram detonadas, segundo agências internacionais. Ninguém do caminhão onde Bhutto estava ficou ferido, segundo a polícia.
A suspeita de que grupos contrários ao governo paquistanês [aliado dos EUA], como a rede terrorista Al Qaeda e rivais políticos do ditador Pervez Musharraf [chefe de governo do Paquistão], levasse a cabo um ataque contra a ex-premiê já era conhecido. Por esta razão, Bhutto usava um colete à prova de bala.
O governo norte-americano condenou o violento atentado e lamentou a morte de inocentes, em comunicado feito por Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. Ele disse ainda que extremistas não impedirão que os paquistaneses elejam seus representantes por meio do processo democrático.
O presidente do Paquistão qualificou o ataque como um ato de conspiração contra a democracia.
| B.K.Bangash/AP |
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| O caminhão que levava a ex-premiê, ao fundo, após as explosões que mataram ao menos 35 |
Exílio
A ex-premiê --que governou o país entre 1988 e 1996-- deixou o Paquistão em 1999, após sofrer acusações de corrupção. Seu retorno ocorre em um período de instabilidade política.
Com eleições parlamentares marcadas para janeiro, ela espera liderar o Partido do Povo do Paquistão (PPP) em uma campanha eleitoral para um terceiro mandato como premiê.
Bhutto abriu caminho para seu retorno por meio de negociações com Musharraf, que tomou o poder em 1999 em um golpe de Estado.
Ele promete deixar o comando do Exército caso possa assegurar um novo mandato.
As conversas resultaram em uma anistia das acusações de corrupção contra Bhutto.
Segurança
Diante da chegada da líder do PPP, o governo mobilizou em Karachi e em seus arredores 20 mil membros das forças de segurança ---incluindo franco-atiradores---, dos quais cerca de 3.500 foram encarregados de escoltar Bhutto em seu percurso do aeroporto até a cidade.
A ex-governante recebeu ameaças dos líderes tribais da conflituosa região do Waziristão, além de outros grupos relacionados à rede terrorista Al Qaeda. Por isso, o Departamento do Interior de Karachi intensificou a vigilância para evitar qualquer atentado contra ela.
Durante a viagem de volta, Bhutto rejeitou as preocupações relativas às ameaças sofridas.
"Não estou com medo. Estou focada em minha missão", disse ela a repórteres no avião. "Este é um movimento pela democracia, porque estamos sob ameaça de terroristas".
Com Associated Press e France Presse
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