Mundo
18/10/2007 - 23h01

Ao menos 120 morrem em atentado contra ex-premiê do Paquistão

da Folha Online

A explosão de duas bombas nesta quinta-feira em Karachi, no sul do Paquistão, matou ao menos 120 pessoas e feriu outras 375. As explosões ocorreram próximas ao comboio da ex-premiê Benazir Bhutto, que escapou ilesa.

"Há 119 mortos e 375 feridos", disse o prefeito Mustafa Kamal à agência de notícias France Presse. 'Foi um trágico incidente e estou ainda mais chocado, porque Karachi não vivia uma ação terrorista há um ano e meio'.

Shakil Adil/AP
Pessoas auxilia, feridos no local do atentado contra ex-premiê
Feridos são auxiliados no local do atentado contra ex-premiê, que aparece em cartaz

"Estávamos celebrando a volta de Bhutto e tudo estava calmo", acrescentou Kamal.

Segundo agência Associated Press, funcionários de seis hospitais de Karachi afirmaram que há 126 mortos e 248 feridos. Outras fontes dizem que 123 pessoas morreram, fazendo do atentado de quinta-feira um dos mais mortais da história do Paquistão.

A ex-premiê retornou nesta quinta-feira ao Paquistão após oito anos de exílio voluntário. Bhutto foi destituída dos dois mandatos de primeira-ministra que exerceu (1988-90 e 1993-96) por acusações de corrupção.

Os processos por corrupção no Paquistão também motivaram a sua saída do país. Ela só retornou após um acordo com o ditador Pervez Musharraf, que ordenou a suspensão das acusações.

Mais de 150 mil pessoas foram recebê-la no aeroporto de Karachi, e milhares seguiam sua carreata.

B.K.Bangash/AP
O caminhão que levava a ex-premiê, ao fundo, após as duas explosões
O caminhão que levava a ex-premiê, ao fundo, após as duas explosões, em rua de Karachi

Suicidas

O porta-voz do Ministério do Interior, Javed Cheema, relatou que 'houve uma explosão maciça no comboio' e que, entre as vítimas, há muitos "policiais e seguidores do PPP", em referência ao Partido do Povo do Paquistão, de Bhutto.

"Benazir Bhutto está sã e salva", completou o porta-voz.

A polícia informou que a ex-premiê foi levada para a residência de sua família.

O marido de Bhutto acusou o serviço paquistanês de inteligência pelo ocorrido. "Culpamos os serviços secretos e pedimos ações contra eles (...) isto não foi um ato de militantes, foi algo destes serviços", disse Asif Ali Zardari à TV paquistanesa.

"Nossa gente morreu, nossos trabalhadores morreram. Sacrificaram suas vidas pelo bem da democracia no Paquistão".

"Conspiração"

O ditador paquistanês, Pervez Musharraf, há oito anos no poder após golpe de Estado, condenou o ataque "da maneira mais enérgica possível", que definiu como uma "conspiração contra a democracia".

Segundo a polícia, as duas explosões foram causadas por dois suicidas, um deles a bordo de um carro-bomba. Essa é a conclusão inicial das autoridades.

"Foi um ato de terrorismo contra Benazir Bhutto e dirigido a sabotar o processo democrático", afirmou o ministro do Interior, Aftab Sherpao. "Suspeitamos que eram suicidas, porque qualquer tipo de artefato previamente colocado ou acionado por controle remoto teria sido detectado pelos equipamentos eletrônicos dos veículos de segurança".

De acordo com Sherpao, 'houve duas explosões --uma na parte esquerda e outra na parte direita do comboio'. Ainda segundo o ministro, no local onde aconteceram as explosões, havia muitas viaturas policiais que escoltavam Bhutto.

Ameaças

Durante a semana, a imprensa local informou que um comandante de combatentes islâmicos ligados ao Taleban e à rede terrorista Al Qaeda --numerosos nas zonas tribais do noroeste do Paquistão-- ameaçou Bhutto de morte.

A ex-premiê prometeu diversas vezes "erradicar a ameaça islamita" de seu país, que há três meses vive uma onda de atentados suicidas.

O governo americano já divulgou uma nota denunciando o atentado a Benazir Bhutto, afirmando que os extremistas não deterão as próximas eleições naquele país.

Condenações

"Os Estados Unidos condenam o violento ataque no Paquistão e lamentam a perda de vidas inocentes", frisou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Gordon Johndroe, após o ataque.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, condenou duramente o atentado, em uma declaração de sua porta-voz, Michele Montas.

Ki-moon "ficou consternado de saber que o comboio de Bhutto, ex-premiê do Paquistão, que chegou a Karachi há algumas horas, foi alvo de um duplo atentado a bomba que teria matado mais de 100 pessoas e ferido inúmeras outras".

Ele "condenou duramente este atentado terrorista (...) mas ao mesmo tempo expressou sua confiança em que as forças políticas trabalharão juntas para reforçar a unidade nacional", concluiu o comunicado.

Com France Presse, Associated Press e France Presse

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