Mundo
22/10/2007 - 17h42

Chávez considera vergonhoso que bispos condenem sua reforma

da Efe, em Caracas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, qualificou como uma "verdadeira vergonha" o documento que a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) emitiu na última sexta-feira (19) sobre seu projeto de reforma constitucional para implantar o socialismo no país.

"É verdadeiramente uma vergonha --digo isto como católico, como cristão --esse comunicado dos bispos venezuelanos alinhados mais uma vez, como fizeram no golpe. Os bispos todos calaram, e quem cala consente", disse o presidente, em alusão à falida tentativa golpista contra ele em 2002.

Chávez afirma que os bispos estão mentindo ao país. "Que Deus os perdoe. Perdoe-os, senhor, por sua ignorância e insensatez".

"Dizem que a reforma é moralmente inaceitável, mas são eles os moralmente inaceitáveis, nos envergonhamos com esses bispos", reiterou em sua ligação telefônica ao canal de televisão do Estado ontem.

"Moralmente inaceitável"

Os bispos católicos ressaltaram em seu documento que a reforma difundida pelo presidente é "moralmente inaceitável" porque "limita a liberdade dos venezuelanos" e "aumenta o poder do Estado".

Para eles, "o projeto deixa vulneráveis os direitos fundamentais do sistema democrático e das pessoas, colocando em perigo a liberdade e a consciência social. O consideramos moralmente inaceitável à luz da doutrina social da Igreja".

Na conversa por telefone, Chávez expressou, além disso, que "lamentava" a morte do cardeal Rosalio Castillo Lara, na terça-feira (16) passada em Caracas, assim como lamentou sua atitude de franca e dura oposição ao seu governo.

"É de se lamentar a morte de todo ser humano e também tenho que lamentar que Castillo Lara tenha estado equivocado todos esses anos", manifestou.

Também informou que não realizou seu programa dominical "Alô, presidente" por estar com uma bronquite que requer repouso.

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