Estudantes venezuelanos protestam contra reforma constitucional
da Folha Online
Centenas de estudantes venezuelanos enfrentaram a polícia nesta terça-feira, que usou gás lacrimogêneo para impedi-los de chegar ao Congresso e solicitar um adiamento do plebiscito sobre o projeto de reforma constitucional apresentado pelo presidente Hugo Chávez.
| Carlos Garcia Rawlins/Reuters |
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| Estudantes fogem e tentam se proteger do gás lacrimogêneo lançado pelos policiais |
Várias barreiras formadas por centenas de guardas nacionais (militares) e a polícia antichoque foram enviadas para os arredores da sede do poder Legislativo, que teve o acesso restrito.
Os manifestantes cantavam o hino nacional e um caminhão com a placa "não" liderava o protesto. Uma comissão de estudantes pretendia entregar um documento ao congresso.
Na sede da Assembléia Nacional, dezenas de seguidores do presidente Hugo Chávez, vestindo as camisas vermelhas da situação, ocuparam posições nas instalações que foram fechadas, segundo a agência de notícias France Presse.
Conflitos
Várias brigas foram registradas em diferentes pontos.
Os manifestantes lançaram garrafas e objetos contra os policiais, que tentavam impedir o acesso ao Palácio Legislativo, enquanto os estudantes nas ruas já chegavam aos milhares.
| Harold Escalona/Efe |
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| Apoiadores de Hugo Chávez gritam contra os manifestantes, protegidos pelos policiais |
Esta é a primeira grande manifestação de rua contra a reforma que visa a estabelecer o "socialismo do século 21" na Venezuela, como define Chávez.
O projeto inclui a reeleição presidencial indefinida e permite ao governante ter novas atribuições consideradas pela oposição como "uma maior concentração de poder".
Na sexta-feira passada (19) a Assembléia aprovou o artigo da proposta que institui a reeleição ilimitada de um mesmo presidente.
Chávez, que chegou ao poder em 1999 após ganhar a eleição do ano anterior, foi reeleito para o período 2007-2013 ao vencer o pleito de 2006 com cerca de 7,2 milhões de votos.
Outras propostas
Entre as propostas apresentadas por Chávez estão o estabelecimento de novos tipos de propriedade além da privada, a eliminação da autonomia do Banco Central e a criação de territórios federais por decreto.
Na sexta-feira (19), o Parlamento decidiu acrescentar novas emendas, que elevariam a reforma a cerca de 61 artigos, entre os quais se destacam os que se referem à eliminação da palavra "descentralização" e um que limita a autonomia dos Estados, com a supressão de suas Constituições.
O projeto será sancionado pelo Parlamento em poucos dias, para então ser submetido a um referendo popular em dezembro, que decidirá a aprovação ou veto final da reforma.
Com France Presse, Associated Press e Reuters
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