Israel pode cortar a eletricidade e o combustível de Gaza
da Efe, em Jerusalém
O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, poderá aprovar amanhã o corte do fornecimento de eletricidade e combustível à faixa de Gaza, atendendo aos pedidos de altos comandantes militares, informa hoje a imprensa israelense.
O movimento radical islâmico Hamas advertiu hoje a Israel que, se cortar seu fornecimento elétrico e de combustível à faixa de Gaza, cometerá um "crime de guerra" e aplicará um "castigo coletivo" ao 1,5 milhão de habitantes do território palestino.
O porta-voz do grupo, Abu Zuhri, disse que, se for tomada, esta decisão seria mais uma tentativa de Israel "de forçar o povo palestino a se ajoelhar".
Barak deve se reunir nesta quinta-feira com a cúpula militar. Ontem à noite, os comandantes decidiram pedir ao governo novas medidas de pressão, como a redução dos envios de combustível, serviços e mercadorias, informa o jornal israelense "Haaretz".
A cúpula militar tomou a decisão em uma reunião de urgência convocada pelo vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai. Extremistas palestinos lançaram ontem oito foguetes artesanais Qassam e 12 bombas contra o sul de Israel. Os ataques não causaram feridos.
"Temos que mostrar aos habitantes de Gaza que a vida não continua tranqüilamente quando caem foguetes Qassam em Israel", disse na reunião um oficial, citado pelo jornal "The Jerusalem Post".
Israel levantou a possibilidade de cortar a eletricidade e o combustível há pouco mais de um mês, ao declarar Gaza "território inimigo", controlado desde junho pelo grupo islâmico Hamas.
A população de Gaza começou então a comprar geradores de energia.
Mas eles se esgotaram em seguida, porque Israel limitou ao máximo a entrada e saída de bens na faixa desde que o Hamas expulsou as forças do Fatah.
A faixa depende em cerca de 50% da eletricidade israelense.
Plano
No plano de represálias contra Gaza, o Ministério da Defesa estuda a possibilidade de cortar a eletricidade durante várias horas por cada foguete artesanal que cair em Israel.
A cúpula militar decidiu há poucos dias cortar a energia durante algumas horas à tarde ou à noite a Beit Hanoun, no norte de Gaza, de onde extremistas palestinos lançam os seus projéteis contra Israel. O Exército se opõe, no entanto, a cortar a água.
Os altos comandantes decidiram retirar restrições ao movimento dos palestinos na Cisjordânia, controlada pela Autoridade Nacional Palestina do presidente Mahmoud Abbas.
Barak disse à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em sua última visita à região, neste mês, que Israel retirou 24 obstáculos físicos e um posto de controle militar na estrada na Cisjordânia.
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