Segunda nas pesquisas, Carrió defende governo plural na Argentina
FELIPE MODENESE
colaboração para a Folha Online
Elisa Carrió, a segunda colocada na disputa presidencial da Argentina, cuja votação ocorre no próximo domingo (28), defende um governo que garanta a pluralidade da sociedade do país.
Segundo o jornal "La Nación", pesquisas recentes indicam que as intenções de voto para Carrió ficam entre 14,5% e 18,1%. Ela está bem atrás de Cristina Kirchner, que detêm entre 39% dos votos --na pesquisa que indica o menor valor-- e 47% dos votos, na de maior valor.
| CØzaro De Luca/Efe |
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| A candidata da centro-esquerda Elisa Carrió, da Coalizão Cívica |
O plano de governo de "Lilita", como Carrió é tratada por argentinos, fala em garantir "a capacidade de nutrir o governo de diferentes vozes com eficiência e honestidade", o que se aproximaria da essência de sua plataforma política, a Coalização Cívica.
De acordo com o jornal espanhol "El Mundo", ela está consciente da popularidade que conquistou no país, e define sua candidatura pela Coalizão Cívica (CC) como "uma alternativa ao atual modelo corrupto".
Há 12 anos na política nacional e já bastante conhecida da opinião pública argentina, "Lilita" enfrenta a "bela" Cristina Kirchner, apresentando-se ao eleitorado como uma lutadora incansável pela justiça e transparência.
"Lilita" realizou uma campanha não-usual, incluindo cartazes sem fotos e apenas frases.
Além disso --por precisar de financiamento privado e não abrir mão de sua austeridade-- a candidata se alojou em casas particulares e não em hotéis, e também não deixou de ir à missa diariamente.
Segundo o plano de governo da candidata, sua proposta de política econômica privilegia uma inflação baixa e previsível, que assegure que a atividade econômica atinja seu rendimento ótimo. Ela também pretende sustentar um crescimento anual de 6%.
Na política internacional, Carrió aposta no estreitamento das relações com o Brasil.
Trajetória
Elisa Carrió nasceu em 1956 na Província argentina de Chaco, ao norte do país, em uma família de líderes radicais, rivais do movimento peronista.
Formou-se advogada e realizou estudos de pós-graduação em direito público. Também é professora, escreve livros e é mãe de três filhos.
Sua projeção política começou em 1995, quando foi eleita deputada nacional por sua Província natal. Foi reeleita em 1999 para o mesmo cargo. Em 2001, durante o mandato, ela rompeu com seu partido, União Cívica Radical, e foi fundadora e presidiu o partido Afirmação para uma República Igualitária (ARI), ao qual permanece vinculada.
No mesmo ano, a deputada presidiu a comissão para investigar lavagem de dinheiro na Câmara dos Deputados. No final de 2001, o "corralito" impunha o congelamento dos depósitos bancários a milhares de contas de argentinos e aumentava o descontentamento popular com o governo. No período, Carrió se consolidou como porta-voz da insatisfação popular com a política nacional através do slogan "Que se vayan todos" [Que todos vão embora].
Tal notoriedade levou Carrió a disputar a Presidência argentina em 2003 pelo ARI.
Ela obteve cerca de 3 milhões de votos, fato inédito na história do país. Embora não tenha conseguido chegar à Casa Rosada, Carrió continuo sua atuação política e foi novamente eleita deputada nacional em 2005, agora pela Província de Buenos Aires. Deixou o cargo em março de 2007 para a candidatura atual.
com: "El Mundo", "La Nación", e site oficial (http://www.elisacarrio.com.ar/)
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