López Murphy defende republicanismo e rejeita rótulo de neoliberal
KARIN BLIKSTAD
colaboração para a Folha Online
Fundador do partido liberal "Recriar para o Crescimento", López Murphy, 56, tentou duas alianças com dois líderes políticos para viabilizar sua candidatura à Presidência: Elisa Carrió, que integra a "Coalizão Cívica" (CC) e Mauricio Macri, do partido "Compromisso para a Mudança" (CPC) --com quem já havia criado, em 2005, a aliança de esquerda, "Proposta Republicana".
Murphy não tenta apenas o cargo de presidente. Ele também é candidato a deputado federal pela Província de Buenos Aires. Sua dupla candidatura é motivo de críticas pelos adversários, especialmente de Cristina Kirchner e de Macri.
Apesar da preferência por Carrió, o acordo não se consumou. Murphy voltou-se então a Macri. Ambos mantém uma coalizão para sua candidatura a presidente, mas a aliança não se estende às eleições legislativas da Província de Buenos Aires, onde Macri apóia seu amigo Francisco de Narváez.
As diferenças entre os dois ficam cada vez mais nítidas, expondo a fragilidade da aliança.
Ideologias
Murphy se considera um defensor da reconstrução republicana em tempos atuais, e rejeita ser considerado um neoliberal. Ele afirma que ser liberal significa garantir instituições republicanas que permitam um capitalismo democrático e sem favoritismos.
| Marcos Brindicci /Reuters |
![]() |
| O candidato presidencial à eleição argentina Ricardo Lopez Murphy |
Usando o apelido de "Buldogue" em sua campanha --que remete à idéia de protetor-- ele está na política há mais de 25 anos.
Formou-se em economia na Universidade Nacional de La Plata, em 1974, período em que integrou o grupo político universitário de esquerda "Juventude Radical". Foi dirigente da Federação Universitária Argentina e presidente do Centro de Estudantes de Ciências Econômicas.
Ele diz nunca ter sido marxista leninista, mas é conhecido por sustentar uma admiração pelo socialismo.
Em 1975, participou do governo de Isabel Perón, em cargo dentro do Ministério de Economia e permaneceu ativo na administração pública durante a ditadura.
Nos anos 80 foi consultor do FMI, do Banco Mundial, do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e da CEPAL, entre outros organismos internacionais.
Atuou no governo de Fernando de la Rúa (1999-2001) --período de forte crise econômica, com a declaração da moratória da dívida argentina, que resultou na saída de La Rúa-- como ministro da Defesa e, posteriormente, como ministro da Economia. Em 2003 foi candidato a presidente, ficando em terceiro lugar, com 16% dos votos na eleição vencida por Kirchner.
Suas propostas de governo estão focadas na melhoria das condições de segurança e na solução para o que ele diagnostica como caos nas políticas públicas sociais.
Nascido em família de classe média de Buenos Aires, seu pai foi deputado federal e chefe da polícia de Buenos Aires. Em 1974, casou-se com Norma Ruiz Huidobro e hoje tem três filhos.
com: "El Mundo", "La Nación"
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Cristina Kirchner abandona o silêncio na reta final da campanha
- Cristina Kirchner nega manipulação de números da inflação
- Oposição se une para fazer apuração paralela na Argentina
- Conheça os principais candidatos na disputa das eleições argentinas
- Fragmentação partidária reduz chances da oposição na Argentina
- Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo
Especial


