Mundo
25/10/2007 - 20h34

Favorita, Cristina Kirchner representa continuidade na Argentina

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FERNANDO SERPONE
da Folha Online

Cristina Elisabet Fernández de Kirchner, 54, é boa oradora, ávida leitora e extremamente vaidosa. Formada em direito, ela tem longa trajetória na política argentina. Membro do Partido Justicialista desde 1985, foi deputada Provincial [estadual] e senadora.

A candidata da coalizão governista Frente para a Vitória está prestes a se tornar a primeira mulher de um presidente que o sucede no cargo por decisão popular.

E foi principalmente o que Néstor Kirchner fez enquanto chefe do Estado argentino que a coloca como a líder disparada do pleito a ser realizado no próximo domingo, dia 28 de outubro.

"Para os argentinos, não haverá mudança entre Néstor e Cristina. Eles cntendem como uma continuidade onde ela é uma candidata política com uma história, uma presença política importantes, mas ao mesmo tempo, bastante dependente do marido", disse à Folha Online Rut Diamint, professora de relações internacionais da Universidad Torcuato Di Tella, em Buenos Aires.

"Não houve um processo interno no partido, entre vários candidatos diferentes da coalizão, foi uma decisão vertical do próprio presidente", afirma Rut. "Sua eleição está muito vinculada ao poder que Kirchner tem."

Mãe vaidosa

Mãe de dois filhos --Máximo, 30, e Florencia,18-- a atual senadora por Buenos Aires é uma mulher obcecada com a sua imagem, o que serviu de munição para os ataques de seus rivais.

Cristina abusa da maquiagem e diariamente faz uma escolha cuidadosa das roupas, jóias e adereços que irá vestir.

Cozaro De Luca/Efe
Senadora, primeira-dama e líder disparada da corrida presidencial
Senadora, primeira-dama e líder disparada da corrida presidencial

O cuidado com os trajes também valem para o corpo. Aeróbica, pilates e dieta estão entre as práticas de Cristina para manter a forma. E em razão da imagem, abandonou o cigarro.

Avessa a declarações à imprensa, a líder absoluta das pesquisas de intenção de voto deu apenas uma entrevista a meios de comunicação argentinos --a uma rádio, no último dia 24-- desde que lançou sua candidatura, há três meses.

Antes da entrevista à rádio La Red, ela havia falado à televisão americana CNN e à revista "Times". Cristina justifica seu estilo dizendo que "não pretende passar o tempo todo a dar entrevistas".

Ela deve manter as políticas de superávit primário e orçamentário, e de uso de subsídios para conter a inflação.

Em relação aos direitos humanos, diz que irá dar continuidade aos julgamentos dos criminosos da ditadura.

Quanto à política internacional, a estudiosa argentina acredita que "ela deve fortalecer a cooperação em nível regional, que ela será uma facilitadora das relações regionais.

"Ela me parece mais preparada, e acho que tem condições para melhorar e apostar mais fortemente na construção regional", diz Diamint.

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