Exército turco impõe restrições e concentra tropas em fronteira iraquiana
da Efe, em Istambul
O exército turco impôs restrições "próprias de um estado de emergência" em diversas áreas da província de Hakkari, fronteiriça com o Iraque, onde aumentou sua presença com reforços de tropas militares e da polícia.
A informação foi dada neste domingo (28) pela agência pró-curda "Firat", próxima ao grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), mas não foi confirmada pelos meios de comunicação turcos.
Segundo a "Firat", o exército turco proibiu a entrada de pessoas e veículos não pertencentes às forças de segurança nos distritos de Yüksekova e Cukurca, na província de Hakkari, onde esta semana ocorreram choques entre as tropas turcas e o PKK.
No último domingo, 12 soldados e 34 separatistas morreram em combates, e outros oito militares turcos foram capturados pelo PKK em Hakkari, um incidente que "pôs fim à paciência da Turquia", segundo o governo de Ancara.
Desde então, o exército desdobrou mais de 100 mil soldados na região, e promove incursões aéreas no norte do Iraque, onde os combatentes do PKK estabeleceram suas bases.
Nos distritos de Yüksekova e Cukurca, no extremo sudeste da Turquia, estão concentrados "dezenas de milhares" de efetivos da Polícia e do Exército, afirmou nesta manhã a "Firat".
A agência acrescentou que várias pessoas foram detidas nas últimas horas sob a suspeita de colaborar com o PKK, mas depois foram libertadas.
A Turquia, por sua parte, continua com as preparações para o Dia da República que será comemorado nesta segunda-feira (29).
O jornal "Cumhuriyet" avaliou hoje a mensagem do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas turcas, Yasar Büyükanit, às vésperas da festa nacional como um "pedido de unidade frente ao terrorismo e os reacionários".
"De um lado o terrorismo e do outro o nacionalismo étnico e os reacionários têm como objetivo prejudicar o Estado", assegurou o general no sábado, em referência ao PKK, assim como aos nacionalistas curdos do Partido da Sociedade Democrática (DTP) e ao governante Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, islamita moderado).
"Que ninguém duvide que as Forças Armadas da Turquia continuarão esta luta contra aqueles que tentam dividir nosso país", afirmou Büyükanit.
A pressão popular e dos meios de comunicação para que se inicie uma operação de punição aos "terroristas" do PKK continua, e hoje a imprensa turca criticou duramente a posição dos Estados Unidos.
Os jornais ressaltam as palavras do comandante americano Benjamin Mixon, que assegurou que o seu país "não fará nada" contra o grupo armado curdo.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, também lamentou no sábado a falta de apoio ocidental oferecido até agora para a luta contra o PKK, e criticou especialmente a atitude da Europa por não extraditar os líderes do PKK refugiados no Velho Continente.
Tanto a União Européia (UE) como os Estados Unidos consideram o PKK como uma organização terrorista.
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