Trajetória política de Cristina Kirchner tem mais de 30 anos
LILIANA SAMUEL
da France Presse, em Buenos Aires
A senadora Cristina Fernández de Kirchner, 54, de caráter forte e chamada por muitos de a Hillary Clinton argentina, encarna a continuidade de um modelo industrialista e social-democrata iniciado por seu marido, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner.
Mulher impetuosa, altiva e autoritária, possui história de ativa militância política, iniciada na combativa Juventude Peronista nos anos 70 em La Plata (60 km ao sul de Buenos Aires), a cidade onde nasceu dentro de uma politizada família de classe média.
| Reuters |
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| A candidata em 1974, um ano antes do casamento com Néstor Kirchner |
Admiradora de Eva Perón, mas sem o carisma e o compromisso com os sindicatos da mulher de Juan Perón, Cristina Kirchner pretende ser a primeira mulher eleita para governar a Argentina por sua experiência política e sólida formação intelectual.
As pesquisas apontam a senadora como favorita com ampla vantagem sobre os adversários para as eleições presidenciais de domingo.
"Cristina é o aprofundamento da mudança", afirma Kirchner, seu maior cabo eleitoral desde que, em 1º de julho, definiu-se a candidatura da senadora pela Frente para a Vitória.
Ao desistir da reeleição, Kirchner deixou o caminho livre para o brilho da primeira-dama, que chega à votação com 40% a 50% das intenções de voto.
"Néstor será um colaborador imprescindível, mas a última palavra será dela", disse o deputado Dante Dovena, um velho amigo do casal.
"Cristina é o melhor quadro político feminino dos últimos 20 anos", disse Dovena.
Porém, os opositores a consideram rancorosa e uma pessoa difícil de obter consenso.
Cristina Kirchner não esconde a admiração pela senadora democrata americana Hillary Clinton. "Tem a valentia de uma mulher inteligente e contemporânea, que soube construir um lugar e uma imagem importante, não independente de seu marido e sim coexistindo com ele", afirma.
Na Universidade Estatal de La Plata, onde era uma ótima estudante de Direito, ela conheceu Néstor Kirchner, com quem se casou em 1975.
Porém, o golpe de Estado de 1976 e a feroz ditadura empurraram o casal à inóspita Província patagônica de Santa Cruz, terra natal do presidente, onde tiveram dois filhos, desenvolveram sua carreira política e uma sólida posição econômica.
Congressista por Santa Cruz desde 1989, as idas e vindas da política levariam Cristina de volta à província de Buenos Aires, um distrito chave com 40% do eleitorado de todo o país e pelo qual foi eleita senadora em 2005.
Muito criticada pelo vestuário exclusivo, as jóias e a maquiagem carregada, Cristina Kirchner soube deslumbrar chefes de Estado em várias viagens, que intensificou este ano para estabelecer sua imagem e relações internacionais.
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