Primeira-dama Cristina Kirchner vence eleição na Argentina
da Folha Online
A primeira-dama argentina, Cristina Kirchner, 54, deve assumir em dezembro a Presidência no lugar do marido, Néstor Kirchner, após ser a primeira mulher eleita para o cargo no país.
Com mais de 75% das urnas apuradas, Cristina possui cerca de 44% dos votos, contra 23% da centro-esquerdista Elisa Carrió e 17% do ex-ministro da Economia Roberto Lavagna.
De acordo com as leis eleitorais argentinas, ela precisaria de 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado, ou 45% dos votos, para ser eleita no primeiro turno.
"Quero convocar todos sem rancores, sem ódios. Nós merecemos um país melhor", disse a vencedora, chamada por muitos de "Hillary Clinton argentina", para simpatizantes.
| Ivan Alvarado/Reuters |
![]() |
| A primeira-dama Cristina Kirchner entra em carro após votar na cidade de Río Gallegos |
Os vestidos da senadora e suas bolsas também provocam comparações com Evita Perón, outra primeira-dama argentina com influência política e na moda. A senadora rejeita tais comparações.
"Eu não quero ser comparada com Hillary Clinton ou com Evita", diz ela.
O próximo mandato presidencial na Argentina começa no dia 10 de dezembro.
Os principais desafios da próxima administração deverão ser econômicos, já que será necessário enfrentar a inflação e a crise energética, consideradas produtos das políticas de Néstor Kirchner.
A crise energética influi na produção, nos preços e pode frear o desenvolvimento e crescimento econômico.
Além da economia, outro problema grave é a corrupção, considerada endêmica na Argentina.
Cristina também terá de trabalhar para manter o equilíbrio entre a aliança estratégica com a Venezuela e a melhora na relação com os Estados Unidos, como prometeu a senadora.
Popularidade
Grande parte da popularidade de Cristina se deve ao seu marido, que assumiu em 2003 um país que lutava para se recuperar da grave recessão econômica e da crise política.
| Arte Folha Online |
![]() |
O crescimento, sustentável, previsto para 2007 na Argentina é de 8%, bem acima dos países vizinhos. Nos quatro anos da administração atual, o desemprego caiu de cerca de 25% para aproximadamente 8%.
A proporção da população vivendo abaixo da linha de pobreza foi de 53%, quando Kirchner assumiu, para cerca de 26% atualmente. As indústrias argentinas hoje funcionam no limite de suas capacidades, dado o consumo impulsionado pelas políticas do atual governo.
Kirchner também fomentou políticas de direitos humanos, investindo nos julgamentos dos militares --e até de um capelão-- envolvidos em crimes durante a ditadura e realizou reformas na Suprema Corte do país.
Tais medidas agradaram amplamente a população, fazendo com que ganhasse popularidade.
Os cerca de 27 milhões de eleitores também votaram para eleger senadores e governadores. O vice-presidente Daniel Scioli foi eleito governador da Província de Buenos Aires.
Cristina deve ser a segunda presidente argentina. A primeira delas, Isabel Perón --que casou-se com Juan Perón após a morte de Evita-- era vice-presidente quando o marido morreu, em 1974, e ocupou o posto por 20 meses antes de ser deposta por um golpe militar.
Com Associated Press e France Presse
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Veja galeria de imagens das eleições na Argentina
- Eleições argentinas registram atraso; candidatos reclamam
- Argentinos votam com apatia e desconfiados de um "presidente de saia"
- É muito bom que o povo eleja os governantes após a crise de 2001, afirma Néstor Kirchner
- Livro explica mudanças que marketing eleitoral trouxe às eleições; leia capítulo
- Publifolha lança guia turístico para Argentina
Especial



