Mundo
29/10/2007 - 16h06

Cristina Kirchner obtém vitória absoluta no primeiro turno na Argentina

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da Folha Online

Com 96,39% das urnas apuradas, a senadora e primeira-dama Cristina Kirchner tem 44,9% dos votos a seu favor, o que significa sua vitória na eleição para presidente da Argentina.

Tudo indica que Cristina, da coalizão Frente Para a Vitória, irá ganhar em primeiro turno, preenchendo os dois quesitos da lei argentina para tal feita: obter 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado, ou 45% dos votos.

Além de estar prestes a chegar nos 45%, a centro-esquerdista Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, vem em segundo lugar com 23% dos votos, segundo a versão eletrônica do jornal argentino "Clarín".

O ex-ministro da Economia Ricardo Lavagna, da Concertação UNA, está em terceiro colocado, com 16,9% dos votos.

Andres Stapff/Reuters
Cristina Kirchner, primeira-dama eleita presidente da Argentina
Cristina Kirchner, primeira-dama, senadora e primeira mulher eleita presidente da Argentina, venceu pleito no primeiro turno

O governo conseguiu ainda vantagem na Câmara dos Deputados, onde se renovou metade dos parlamentares, e manteve a maioria absoluta no Senado. Também conquistou os oito governos provinciais em disputa sobre um total de 24 Distritos no país.

"Quero agradecer a Julio Cobos (vice-presidente eleito) e a Concertación Plural, espaço que conseguimos construir superando velhas divergências", disse Cristina Kirchner sobre a aliança do peronismo governamental com os social-democratas dissidentes da União Cívica Radical (UCR).

"Quero convocar todos sem rancores, sem ódios. Nós merecemos um país melhor", disse Cristina a centenas de simpatizantes.

"A felicitamos e reconhecemos sua vitória", disse Carrió, 50, candidata da Coalizão Cívica, uma aliança de liberais e socialistas, antes de destacar que esta se tornou claramente a segunda força política do país.

Uma das chaves da vitória de Cristina, 54, foi o grande número de votos na província de Buenos Aires, o maior distrito do país e que concentra quase 40% dos 27 milhões de cidadãos, onde foi eleito como governador Daniel Scioli, atual vice-presidente.

Desafios

Um ambiente de comemoração foi registrado no comitê de campanha da Frente para a Vitória, aos gritos de "mulheres no poder" e críticas aos "gorilas", entre outros.

Na Argentina são chamados de "gorilas" os antiperonistas e membros das classes média e alta que desconfiam dos setores populares de baixa renda.

Cristina de Kirchner capitalizou os resultados econômicos dos últimos quatro anos, depois que ficou para trás o pior da crise de 2001 e 2002, com um governo de perfil industrialista, taxas de câmbio altas para as exportações e um aumento de 9% anual do Produto Interno Bruto (PIB).

Porém, o futuro governo deverá enfrentar uma elevada inflação real de 15% a 20% e a queda dos investimentos.

Cristina Kirchner construiu seu projeto de poder dentro do populista peronismo, mas com um forte giro para a social-democracia.

Entre os desafios do novo governo, que assumirá o poder em 10 de dezembro, está o de manter o difícil equilíbrio entre a aliança estratégica com a Venezuela de Hugo Chávez e uma melhora na relação com os Estados Unidos, como prometeu a senadora.

Atrasos

Os cerca de 27 milhões de eleitores também votaram para eleger governadores.

Também foram eleitos 130 deputados --metade do atual Parlamento-- e 24 senadores.

A votação teve problemas, com registro de atrasos em Buenos Aires, que obrigaram autoridades a estender em uma hora o pleito, previsto para terminar às 18h (19h de Brasília).

Durante a manhã, a junta eleitoral teve de convocar funcionários públicos para substituir mesários que não compareceram para trabalhar.

O diretor nacional, eleitoral, Alejandro Tullio, afirmou que a abertura das seções eleitorais havia se normalizado por volta das 10h (11h de Brasília).

Várias Províncias --como Santiago del Estero e La Rioja-- tiveram que recorrer a alternativas previstas pela lei para substituir presidentes e vice-presidentes de mesa.

Com France Presse

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