Dia de violência rompe calma relativa no Iraque
da Folha Online
A relativa tranqüilidade vivida no Iraque desde setembro terminou nesta segunda-feira com um novo dia de violência, com ao menos 40 mortos e 26 corpos encontrados, a maioria decapitada.
Até domingo (28), outubro estava sendo considerado pelo governo iraquiano como o mês com menor número de mortes de civis dos últimos 20 meses.
Grande parte das mortes aconteceu na Província de Diyala, um dos redutos mais importantes da rede terrorista Al Qaeda no Iraque. Em Diyala, as tribos locais começaram a cooperar com o governo iraquiano com o objetivo de expulsar os terroristas.
No ataque mais sangrento, 27 pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas quando um homem-bomba andando de bicicleta detonou o cinto de explosivos que levava.
A explosão surpreendeu as pessoas que se reuniam na frente de um centro de recrutamento policial em Baquba, 65 km ao nordeste de Bagdá, segundo policiais. As vítimas eram candidatos a policiais que estavam fazendo um curso de treinamento no local.
Em Echbilia, a polícia encontrou 20 corpos decapitados. Moradores da região de Kasirin, 40 km a oeste de Baquba, informaram sobre a presença de vários corpos em uma das aldeias da área. As fontes acrescentaram que as mortes pareciam recentes.
General ferido
Um general de brigada do Exército americano ficou ferido nesta segunda-feira na explosão de uma bomba em uma estrada ao norte de Bagdá. Ele foi levado para um hospital militar na Alemanha onde será tratado, segundo comunicado do Exército.
| Fabrizio Bensch/Reuters |
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| Soldado americano conversa com estudantes em universidade de Bagdá |
O general de brigada Jeffrey Dorko viajava em um comboio escoltado por um grupo privado de segurança quando a bomba foi detonada.
Dorko é o oficial de posto mais alto ferido desde o início da Guerra do Iraque, em 2003.
"Os ferimentos do general de brigada Dorko não colocam em risco sua vida. Está estável e foi transferido para um hospital militar americano em Landstuhl, Alemanha", segundo o comunicado.
Ainda nesta segunda-feira, o Exército iraquiano libertou oito chefes de diferentes tribos de Diyala que tinham sido seqüestrados ontem por um grupo de homens armados, após participarem de uma reunião em Bagdá com representantes governamentais.
No encontro, conversaram sobre a reconciliação nacional e sobre os meios necessários para unificar esforços entre as distintas tribos de Diyala a fim de combater a Al Qaeda.
Mais violência
Por outro lado, na província de Salah ad Din, ao norte da capital, pelo menos sete pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas em um ataque com um carro-bomba.
| AP |
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| Socorristas se reúnem no local de explosão de carro-bomba em Kirkuk, norte do Iraque |
O ataque aconteceu perto de um centro de processamento de farinha, nas proximidades da cidade de Beiji, cerca de 30 km ao norte de Tikrit, capital de Salah ad Din.
Na cidade de Mossul, a 400 km de Bagdá, cinco civis, quatro deles membros de uma mesma família, morreram baleados, segundo fontes do Ministério do Interior.
As fontes explicaram que três mulheres e um homem morreram quando um grupo de pistoleiros entrou na casa da família e disparou, no bairro de Ninawa, no leste de Mossul.
Além disso, uma funcionária da Polícia iraquiana também foi morta a tiros por homens armados próximo a um hospital na mesma cidade.
A violência também aconteceu em Bagdá, onde outra pessoa morreu e várias ficaram feridas em diferentes ataques promovidos por homem armados.
Tanto em Bagdá como em Mossul foram achados quatro e dois cadáveres, respectivamente, com marcas de bala e sinais de tortura.
O número de civis mortos no Iraque desde o começo do ano, como conseqüência da violência vivida pelo país, registrou uma grande queda, de acordo com estatísticas elaboradas pelos ministérios de Interior, Defesa e Saúde.
O dia de violência hoje rompe com a tendência registrada nas últimas semanas, nas quais a violência esteve reduzida a níveis não vistos há dois anos.
A agência de notícias da ONU "Irin" informou há menos de uma semana que setembro foi o mês menos sangrento do ano e que vários analistas previam, inclusive, um outubro ainda menos violento.
No entanto, parece que os enfrentamentos que há vários meses acontecem entre as tribos sunitas de Diyala e os combatentes da Al Qaeda no Iraque continuarão acrescentando vítimas às estatísticas.
Mês tranquilo
De 1º a 28 de outubro, um total de 285 civis e membros das forças de segurança iraquianas morreram em episódios de violência, segundo dados do Ministério do Interior, do da Defesa e o da Saúde.
Trata-se do registro mais baixo desde o atentado contra uma mesquita xiita da cidade de Samarra, de maioria sunita, ocorrido no dia 22 de fevereiro de 2006 e considerado o estopim de uma campanha de atentados, ataques e assassinatos entre as comunidades xiita e sunita iraquianas.
Em fevereiro de 2006, 637 civis morreram; esse número chegou a 1.975 em novembro do mesmo ano. Em janeiro de 2007 os mortos civis foram 1.992, o recorde de vítimas da violência no Iraque.
Com Efe e Reuters
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