Mundo
29/10/2007 - 23h22

Cristina Kirchner se torna primeira mulher eleita presidente da Argentina

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da Folha Online

A primeira-dama Cristina Kirchner foi eleita presidente da Argentina nesta segunda-feira, vencendo no primeiro-turno com larga vantagem sobre seus adversários.

Com 96,47% das urnas apuradas, a atual senadora por Buenos Aires tem 44,9% dos votos a seu favor, o que garante sua vitória absoluta no primeiro turno.

Santiago Pandolfi/Reuters
Cristina Kirchner coloca seu voto na urna no domingo (28)
Cristina Kirchner coloca seu voto na urna, no domingo (28)

De acordo com as leis eleitorais argentinas, ela precisaria de 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado, ou 45% dos votos, para ser eleita no primeiro turno.

A primeira-dama cumpriu os dois quesitos legais, já que a centro-esquerdista Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, ficou em segundo lugar com 23% dos votos, de acordo com a edição eletrônica do jornal argentino "Clarín".

Ricardo Lavagna, ex-ministro da Economia, da Concertação UNA, é o terceiro colocado, com 16,9% dos votos.

O próximo mandato presidencial na Argentina começa no dia 10 de dezembro. Primeira mulher eleita para o cargo no país, ela deve assumir o posto no lugar do marido, Néstor Kirchner.

"Quero convocar todos sem rancores, sem ódios. Nós merecemos um país melhor", afirmou Cristina durante comemoração, que contou com a presença de Ségolène Royal, candidata pelo Partido Socialista às eleições presidenciais da França de 2007.

Companheiros de política

Cristina dedicou sua vitória a Néstor, seu "companheiro de toda a vida" e que assumiu a Presidência "com um baixo nível de representação popular" e "em circunstâncias econômicas, sociais, políticas e institucionais muito diferenças" das atuais.

Kirchner assumiu a Presidência em 2003, com apenas 22% dos votos. Carlos Menem, presidente entre 1989 e 1999, desistiu de disputar o segundo turno.

Os Kirchner são militantes do peronismo desde a juventude, quando se conheceram nos corredores da Faculdade de Direito da Universidade Nacional de La Plata, cidade natal de Cristina.

Status quo

Cristina deve manter as mesmas políticas internas e externas que seu marido. A proposta de não realizar grandes mudanças nas políticas vigentes foi uma de suas principais plataformas eleitorais.

Ao assumir o comando do país, seus principais desafios devem ser econômicos, já que será necessário enfrentar a inflação e a crise energética, consideradas produtos das políticas do atual governo.

Stringer /REUTERS
Senadora e primeira-dama, Cristina Fernandez de Kirchner será presidente da Argentina
Senadora e primeira-dama, Cristina Fernandez de Kirchner será presidente da Argentina

O índice de inlflação oficial, de 8%, tem sido manipulado pelo Indec (IBGE local). Institutos independentes acreditam que a alta dos preços esteja em torno de 16% a 22%.

A crise energética --longe de uma solução-- influi na produção, nos preços e pode frear o desenvolvimento e crescimento econômico.

Além da economia, outro problema grave é a corrupção, considerada endêmica na Argentina.

A futura presidente precisa ainda ganhar o apoio da classe média, parcela da população menos beneficiada com a recuperação econômica promovida por seu marido.

Cristina também terá de trabalhar para manter o equilíbrio entre a aliança estratégica com a Venezuela e a melhora na relação com os Estados Unidos, como prometeu a senadora.

Maioria parlamentar

O governo conseguiu ainda vantagem na Câmara dos Deputados, onde se renovou metade dos parlamentares, e manteve a maioria absoluta no Senado. Também conquistou os oito governos provinciais em disputa sobre um total de 24 Distritos no país.

Uma das chaves da vitória de Cristina, 54, foi o grande número de votos na província de Buenos Aires, o maior distrito do país e que concentra quase 40% dos 27 milhões de cidadãos, onde foi eleito como governador Daniel Scioli, atual vice-presidente.

Atrasos

Os cerca de 27 milhões de eleitores também votaram para eleger governadores.

Também foram eleitos 130 deputados --metade do atual Parlamento-- e 24 senadores.

A votação teve problemas, com registro de atrasos em Buenos Aires, que obrigaram autoridades a estender em uma hora o pleito, previsto para terminar às 18h (19h de Brasília).

Durante a manhã, a junta eleitoral teve de convocar funcionários públicos para substituir mesários que não compareceram para trabalhar.

O diretor nacional, eleitoral, Alejandro Tullio, afirmou que a abertura das seções eleitorais havia se normalizado por volta das 10h (11h de Brasília).

Várias Províncias --como Santiago del Estero e La Rioja-- tiveram que recorrer a alternativas previstas pela lei para substituir presidentes e vice-presidentes de mesa.

Com France Presse, Associated Press e Reuters

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