Cristina Kirchner se torna primeira mulher eleita presidente da Argentina
da Folha Online
A primeira-dama Cristina Kirchner foi eleita presidente da Argentina nesta segunda-feira, vencendo no primeiro-turno com larga vantagem sobre seus adversários.
Com 96,47% das urnas apuradas, a atual senadora por Buenos Aires tem 44,9% dos votos a seu favor, o que garante sua vitória absoluta no primeiro turno.
| Santiago Pandolfi/Reuters |
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| Cristina Kirchner coloca seu voto na urna, no domingo (28) |
De acordo com as leis eleitorais argentinas, ela precisaria de 40% dos votos e uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado, ou 45% dos votos, para ser eleita no primeiro turno.
A primeira-dama cumpriu os dois quesitos legais, já que a centro-esquerdista Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, ficou em segundo lugar com 23% dos votos, de acordo com a edição eletrônica do jornal argentino "Clarín".
Ricardo Lavagna, ex-ministro da Economia, da Concertação UNA, é o terceiro colocado, com 16,9% dos votos.
O próximo mandato presidencial na Argentina começa no dia 10 de dezembro. Primeira mulher eleita para o cargo no país, ela deve assumir o posto no lugar do marido, Néstor Kirchner.
"Quero convocar todos sem rancores, sem ódios. Nós merecemos um país melhor", afirmou Cristina durante comemoração, que contou com a presença de Ségolène Royal, candidata pelo Partido Socialista às eleições presidenciais da França de 2007.
Companheiros de política
Cristina dedicou sua vitória a Néstor, seu "companheiro de toda a vida" e que assumiu a Presidência "com um baixo nível de representação popular" e "em circunstâncias econômicas, sociais, políticas e institucionais muito diferenças" das atuais.
Kirchner assumiu a Presidência em 2003, com apenas 22% dos votos. Carlos Menem, presidente entre 1989 e 1999, desistiu de disputar o segundo turno.
Os Kirchner são militantes do peronismo desde a juventude, quando se conheceram nos corredores da Faculdade de Direito da Universidade Nacional de La Plata, cidade natal de Cristina.
Status quo
Cristina deve manter as mesmas políticas internas e externas que seu marido. A proposta de não realizar grandes mudanças nas políticas vigentes foi uma de suas principais plataformas eleitorais.
Ao assumir o comando do país, seus principais desafios devem ser econômicos, já que será necessário enfrentar a inflação e a crise energética, consideradas produtos das políticas do atual governo.
| Stringer /REUTERS |
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| Senadora e primeira-dama, Cristina Fernandez de Kirchner será presidente da Argentina |
O índice de inlflação oficial, de 8%, tem sido manipulado pelo Indec (IBGE local). Institutos independentes acreditam que a alta dos preços esteja em torno de 16% a 22%.
A crise energética --longe de uma solução-- influi na produção, nos preços e pode frear o desenvolvimento e crescimento econômico.
Além da economia, outro problema grave é a corrupção, considerada endêmica na Argentina.
A futura presidente precisa ainda ganhar o apoio da classe média, parcela da população menos beneficiada com a recuperação econômica promovida por seu marido.
Cristina também terá de trabalhar para manter o equilíbrio entre a aliança estratégica com a Venezuela e a melhora na relação com os Estados Unidos, como prometeu a senadora.
Maioria parlamentar
O governo conseguiu ainda vantagem na Câmara dos Deputados, onde se renovou metade dos parlamentares, e manteve a maioria absoluta no Senado. Também conquistou os oito governos provinciais em disputa sobre um total de 24 Distritos no país.
Uma das chaves da vitória de Cristina, 54, foi o grande número de votos na província de Buenos Aires, o maior distrito do país e que concentra quase 40% dos 27 milhões de cidadãos, onde foi eleito como governador Daniel Scioli, atual vice-presidente.
Atrasos
Os cerca de 27 milhões de eleitores também votaram para eleger governadores.
Também foram eleitos 130 deputados --metade do atual Parlamento-- e 24 senadores.
A votação teve problemas, com registro de atrasos em Buenos Aires, que obrigaram autoridades a estender em uma hora o pleito, previsto para terminar às 18h (19h de Brasília).
Durante a manhã, a junta eleitoral teve de convocar funcionários públicos para substituir mesários que não compareceram para trabalhar.
O diretor nacional, eleitoral, Alejandro Tullio, afirmou que a abertura das seções eleitorais havia se normalizado por volta das 10h (11h de Brasília).
Várias Províncias --como Santiago del Estero e La Rioja-- tiveram que recorrer a alternativas previstas pela lei para substituir presidentes e vice-presidentes de mesa.
Com France Presse, Associated Press e Reuters
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