Argentina nega alta de impostos para contribuir com próximo governo
da Efe, em Buenos Aires
O governo argentino negou nesta terça-feira que irá aumentar os impostos das exportações agrícolas e reduzir o gasto público para contribuir com a próxima gestão presidencial da primeira-dama, Cristina Fernández de Kirchner.
"É tudo especulação, vamos continuar preservando o superávit", assegurou o chefe de gabinete argentino, Alberto Fernández.
Fernández descartou assim informações publicadas nesta terça-feira, segundo as quais estima-se uma maior pressão do fisco sobre o campo e medidas de austeridade para assegurar uma economia estável à gestão de Cristina Fernández, que sucederá seu marido, Néstor Kirchner, no próximo dia 10 de dezembro.
"Fazendo uma análise atual, muitos acreditam que o governo deve tomar medidas para dar segurança ao trabalho do próximo governo", comentou à emissora Rádio 10.
"Não há um conjunto de medidas (em matéria impositiva) como está sendo falado", afirmou Fernández.
O jornal "La Nación" disse que "para preocupação do campo", o governo "prevê um aumento" de cinco a dez pontos percentuais nos impostos às exportações de trigo e soja "para organizar o caminho" até a chegada de Cristina Fernández ao poder.
O "Clarín", jornal de maior tiragem do país, apontou que está sendo estudado um plano que inclui ajustes tributários para assegurar ao próximo governo uma economia pública de cerca de US$ 3,14 bilhões.
A possibilidade de aumento dos impostos às exportações agrícolas mantém em estado de alerta as associações de produtores agropecuários, que se queixam da pressão do fisco.
Os impostos oscilam entre 5% e 27,5%, segundo as informações, e um relatório da Sociedade Rural Argentina indica que isso representou para o Fisco uma receita anual de US$ 4,15 bilhões.
Desde 2003, o governo Kirchner conseguiu manter um superávit do Tesouro (antes do pagamento das dívidas) equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas nos últimos meses, em meio à campanha eleitoral, o gasto público aumentou cerca de 40%, nível maior ao da alta da arrecadação tributária.
Cristina Fernández de Kirchner, do partido peronista Frente para a Vitória, ganhou as eleições presidenciais de domingo com 44,9% dos votos, 22 pontos a mais que os obtidos por Elisa Carrió, candidata de centro-esquerda.
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