Coréia do Norte começará a desmantelar programa nuclear
da France Presse, em Pequim
O coordenador do grupo de especialistas americanos responsáveis por supervisionar o desmantelamento da principal central nuclear da Coréia do Norte, em Yongbyon, afirmou que espera iniciar o processo na próxima semana.
"Gostaríamos de iniciar o mais rapidamente possível", declarou Sung Kim, que coordena uma equipe de nove pessoas, em Pequim antes de retornar a Pyongyang.
"Acredito que começaremos assim que estivermos em Yongbyon. No início da próxima semana se tudo correr bem", acrescentou o diretor de assuntos coreanos do Departamento de Estado americano.
O principal negociador dos Estados Unidos para a questão, Christopher Hill, havia indicado que o processo poderia começar ainda nesta semana. Os norte-coreanos haviam anunciado a data de 1º de novembro. Como Hill, Kim também manifestou otimismo.
"Temos um acordo bastante bom, uma boa visão das três principais instalações do complexo de Yongbyon e do procedimento de desmantelamento", explicou.
Após a assinatura de um acordo em 13 de fevereiro em Pequim durante negociações multilaterais entre seis países --Coréia do Norte, Coréia do Sul, China, Estados Unidos, Japão e Rússia--, Pyongyang deu mostras de boa vontade ao desligar o reator de Yongbyon, espinha dorsal de seu programa nuclear militar, onde o plutônio é tratado.
Diálogo
Ao fim de uma nova rodada de negociações em setembro, o regime norte-coreano também aceitou desativar, antes de 31 de dezembro, as três instalações de Yongbyon --entre elas um reator experimental de cinco megawatts-- e divulgar a lista completa de seus programas antes de executar o desmantelamento completo a partir do próximo ano.
O desmantelamento significa desmontar e retirar os equipamentos. O trabalho dos americanos será realizado em conjunto com os norte-coreanos.
Em contrapartida, Pyongyang receberá uma ajuda energética equivalente a um milhão de toneladas de combustível. O país já recebeu uma parte.
Porém, mesmo expressando otimismo sobre o êxito do processo, os americanos temem a possibilidade de uma mudança abrupta por parte de um regime imprevisível.
Os cinco países envolvidos nas negociações com Pyongyang tentam evitar que se repita a situação de 2002, quando a Coréia do Norte retomou seu programa nuclear em violação a um acordo concluído com os Estados Unidos oito anos antes.
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