Afeganistão pode causar "tsunami" de ópio, diz ONU
da Folha Online
A Ásia Central corre o risco de ser vítima de um "tsunami" do ópio por causa de uma produção no Afeganistão superior ao consumo mundial, advertiu nesta quinta-feira em Cabul um alto responsável da ONU.
"Há um excesso" de produção "em relação ao consumo" no mundo, declarou Jean-Luc Lemahieu, o chefe para a Europa, Ásia do Oeste e Central do Escritório da ONU para a Droga e o Crime (ONUDC), na terceira conferência do "Pacto de Paris sobre o Afeganistão e os países vizinhos".
A produção de ópio no Afeganistão deu um salto de 34% em 2007 e dobrou desde 2005, atingindo 8.200 toneladas, segundo relatório recente da organização. O ópio é produzido a partir da papoula.
"Tsunami na região"
"Esta enorme quantidade vai criar um tsunami na região, e é necessário responder a isso", disse Lemahieu, explicando que esse excesso se traduzirá em preços mais baixos nos mercados regionais, correndo o risco de aumentar a dependência dos consumidores, sobretudo na China e na Índia.
| 11.abr.2007/AP |
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| Campos de cultivo de papoula são vistos na Província de Nangarhar, no Afeganistão |
Por enquanto, explicou, "o vínculo com o mercado na China não foi estabelecido" a partir do Afeganistão, enquanto que isso já aconteceu com o "Triângulo de ouro" no Sudeste Asiático (Vietnã, Tailândia e Mianmar), onde a produção de ópio está em vias de erradicação.
Especialistas de 55 países e organizações internacionais reunidos durante dois dias na capital afegã dedicaram uma parte importante de seus trabalhos às conseqüências desse problema na China.
As intervenções dos participantes foram, principalmente, sobre os meios de combater o tráfico em nível regional, com ênfase em uma maior troca de informações entre os países vizinhos e patrulhas fronteiriças mistas, destacou o ministro interino afegão da Luta Antidrogas, general Khodaidad.
Rota da droga
Programas financiados pela comunidade internacional já estão em aplicação entre países fronteiriços e um esforço particular foi observado, segundo uma fonte diplomática européia, por parte do Irã, pelo qual transita, rumo à Europa, uma parte do ópio já transformado em heroína nos laboratórios afegãos.
| Fraidoon Pooya/AP |
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| Polícia afegã mostra apreensão de 600kg de ópio, feita perto da fronteira com o Paquistão |
Este ano, Paquistão, Irã e Afeganistão assinaram um acordo de cooperação na luta contra as drogas. Esses países, chamados de "Crescente de ouro", em alusão ao "Triângulo de ouro", vêm-se reunindo em nível ministerial para discutir medidas comuns.
Em relação a medidas específicas de luta contra a droga no Afeganistão, "é preciso dar tempo ao tempo", disse um responsável da ONUDC, lembrando dos 20 a 30 anos necessários para obter resultados tangíveis, sobretudo ao longo dos últimos dez anos, na erradicação do ópio no interior do "Triângulo de ouro".
"A estratégia antidrogas no Afeganistão é boa. Do que precisamos é que ela possa se aplicar de maneira eficaz com um apoio ao mesmo tempo regional e internacional", observou o responsável da ONUDC para o Paquistão, Vincent McLean.
Entre as dificuldades encontradas no Afeganistão, um especialista americano em questões de drogas na região, Barnet Rubin, citou o envolvimento de personalidades públicas, ou de seus familiares, no tráfico, o que já foi apontado por ONGs no passado.
De acordo com o general Khodaidad, "não há nenhuma prova (da presença) de traficantes afegãos em um nível governamental importante".
Com Efe
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