EUA terão que revisar sua ajuda ao Paquistão, adverte Rice
da France Presse
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, advertiu neste domingo que os EUA teriam que revisar a ajuda que presta ao Paquistão, apesar de lembrar que a medida não afetaria a contribuição destinada à luta antiterrorista.
Devido à decisão do presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, de instaurar o estado de emergência em seu país, "teremos que reexaminar nossa ajuda", declarou a chefe da diplomacia americana a um grupo de jornalistas em Jerusalém, onde está em razão de uma visita oficial.
De qualquer forma, "teremos assuntos antiterroristas [no Paquistão] e devemos continuar protegendo os cidadãos americanos", completou.
Os EUA concederam ajuda financeira e militar de US$ 11 bilhões ao Paquistão desde 2001, da qual boa parte se destina à luta contra o terrorismo.
Ontem, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, disse que o governo americano está decepcionado e profundamente preocupado com o estado de emergência decretado no Paquistão e exigiram a realização das eleições em janeiro.
"Os Estados Unidos estão muito preocupados" com a instauração de um estado de exceção, declarou Sean McCormack, em uma nota. "Exigimos que cumpram seus compromissos imediatamente."
Um comunicado da Casa Branca também divulgado ontem diz que os EUA consideraram a postura de Musharraf "muito decepcionante". "Esta decisão é muito decepcionante. O presidente Musharraf precisa manter sua promessa de eleições livres e justas em janeiro e renunciar como chefe do Exército antes de fazer o juramento presidencial."
Hoje o primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, afirmou que o Parlamento pode adiar as eleições legislativas, previstas para janeiro de 2008, em um ano após a instauração do estado de emergência, mas acrescentou que o governo ainda não tomou uma decisão a respeito.
Ele informou ainda que de 400 a 500 pessoas foram detidas de forma preventiva no país após a entrada em vigor do estado de emergência. As detenções atingiram partidos de oposição ao governo, como o Teehrik-e-Insaf e a Liga Muçulmana do Paquistão (comandada do exílio pelo ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif), além de representantes judiciais, como o presidente da Associação de Magistrados do Supremo.
As detenções políticas aconteceram em várias cidades do país, entre elas Islamabad, Karachi, Peshawar, Quetta e Lahore. Nesta última, segundo a imprensa, teriam sido detidos cerca de 30 ativistas.
Musharraf declarou o estado de emergência alegando a violência de ações de grupos extremistas, que estaria aumentando, além de divergências com o Poder Judiciário em questões políticas.
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