Mundo
09/11/2007 - 09h10

Atirador da Finlândia era depressivo e fascinado por violência

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GAEL BRANCHEREAU
da France Presse, em Tuusula (Finlândia)

O jovem que matou oito pessoas em um colégio finlandês na quarta-feira (7), descrito como alguém apaixonado por armas de fogo, foi também qualificado como "normal e afável", apesar de ele próprio ter afirmado que sua missão era erradicar os "fracassados da raça humana".

Pekka-Eric Auvinen, 18, que cometeu suicídio após a chacina, era o filho mais velho de uma família aparentemente normal. Morava com os pais, tinha um irmão e sua vida escolar seguia sem problemas. Não tinha antecedentes penais, segundo os investigadores.

Reuters
O atirador Pekka-Eric Auvinen, 18, que atirou 69 vezes e matou oito em escola
O atirador Pekka-Eric Auvinen, 18, que atirou 69 vezes e matou oito em escola

No entanto, seus professores o caracterizam como um jovem "complexo, brilhante, angustiado e depressivo", que às vezes era alvo de zombarias pelos colegas da escola.

Tudo indica que Auvinen planejou sua ação minuciosamente. Em primeiro lugar, ele escolheu a data: 7 de novembro de 2007, o dia da Revolução de Outubro --como ficou conhecida a tomada de poder pelos bolcheviques na Rússia-- que completou 90 anos em 2007.

O estudante simpatizava com idéias radicais, tanto à esquerda como à direita, e manifestava um grande interesse pela história das revoluções, contaram seus professores.

Segundo alguns colegas, ele não escondia sua admiração por Hitler e Stalin.

O jovem também divulgou, sob o pseudônimo "Sturmgeist89" ["espírito de tempestade", em alemão], um vídeo intitulado "Massacre de Jokela High School, 7 de novembro de 2007".

O vídeo mostra primeiro o liceu de Jokela, cortando em seguida para Auvinen apontando uma pistola para a câmera, com fundo musical hard-rock.

Ruivo, de costas largas, Pekka-Eric tinha um físico tipicamente nórdico. Em um dos vídeos que divulgou na internet, após ter disparado com sua arma em um bosque, ele sorri e faz uma saudação em direção à câmera com uma das mãos.

Plano

Na manhã do crime, o estudante publicou 'um programa' detalhado do massacre planejado: "objetivo: colégio Jokela, alunos e professores, sociedade, humanidade, raça humana. Tipo de ataque: assassinato massivo. Nome do assassino: Pekka-Eric Auvinen. Arma: pistola semiautomática.22 Sig Sauer Mosquito".

Segundo algumas testemunhas, o jovem não silenciou durante todo o ataque, gritando "isso é o inferno, a revolução! Façam alguma coisa!".

Um de seus colegas de classe disse que nos últimos dias Pekka-Eric se comportava de "maneira estranha", e havia começado a pintar cenas de massacres com armas de fogo.

Em um longo texto, que se assemelha a uma reivindicação póstuma, publicado na internet, ele se descreve como um "excluído" e faz a lista dos filmes de que gostava: "Apocalypse Now", "Nascido para matar" e "Assassinos por natureza".

Suas referências literárias são "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury, "A República", de Platão, e "todas as obras de Nietzsche". Ele também cita vários grupos de rock, como Alice Cooper, Prodigy, Rammstein e Nine Inch Nails.

"Provavelmente dirão que estou doente, louco ou que sou um psicopata (...). Não, a verdade é que eu sou um animal, um humano, um indivíduo, um dissidente", escreveu.

Auvinen possuía há apenas 3 semanas uma licença para usar armas. Ele era membro de um clube de tiro esportivo.

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