Mundo
09/11/2007 - 11h49

Atentado em residência de ministro paquistanês deixa quatro mortos

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da Folha Online

Pelo menos quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas hoje após uma explosão no domicílio de um ministro paquistanês em Peshawar (noroeste do país), segundo informou a polícia e a emissora de TV estatal.

O ministro de Assuntos Políticos, Amir Muqam, líder da seção local do partido do ditador Pervez Musharraf saiu ileso, conforme noticiou a televisão oficial. Entre os mortos estão três seguranças do ministro. Um de seus irmãos foi ferido pela explosão.

"Eu vi, dois, três corpos", disse Muqam para a TV estatal.

De acordo com a polícia local, a explosão foi causada por um ataque suicida.

"Eu posso confirmar que tratou-se disso. Mas o ministro está a salvo", disse o chefe de polícia Tahir Khan. De acordo com ele, o suicida explodiu-se do lado de dentro do portão da casa, quando os seguranças tentaram detê-lo.

O Paquistão, especialmente na porção noroeste, é palco de violentos conflitos entre forças de segurança e ativistas pró-Taleban.

Em abril, um homem-bomba explodiu-se a poucos metros do ministro do Interior, Aftab Khan Sherpao, matando 28 pessoas durante um protesto político na cidade de Charsadda. O ministro teve apenas ferimentos leves

Anjum Naveed/AP
A ex-premiê do Paquistão Benazir Bhutto, que exige suspensão de estado de emergência
A ex-premiê do Paquistão, Benazir Bhutto, fala à imprensa se sua casa, onde foi confinada

Em razão da piora nas condições de segurança, autoridades tranferiram para a capital Islamabad 300 chineses, a maioria engenheiros, que trabalham em projetos de construção próximos à fronteira com o Afeganistão.

O último atentado de grandes proporções no Paquistão aconteceu no mês passado, quando a ex-primeira-ministra, Benazir Bhutto, festejava sua volta ao país depois de oito anos de exílio.

Um duplo ataque contra sua caravana resultou na morte de 126 pessoa em Karachi (sul do país) e deixou mais de 200 feridos.

Situação delicada

A situação política do Paquistão deteriorou-se ainda mais nesta sexta-feira, após o cerco à residência de Bhutto. Ela foi confinada em sua casa e impedida de liderar um protesto contra o estado de emergência decretado pelo ditador do país Pervez Musharraf.

De sua casa, Bhutto disse que não recebeu mandado de prisão. "Se eu estou presa, o Partido do Povo Paquistanês [liderado por ela] continuará lutando por democracia e pelo Estado de Direito", disse a repórteres.

Segundo ela, 5.000 partidários foram detidos pela polícia.

A ex-primeira-ministra vem insistindo repetidamente para que o ditador do país, Pervez Musharraf, convoque eleições parlamentares e deixe o comando do Exército.

Musharraf vem sofrendo forte pressão, inclusive do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush para deixar o comando do Exército e convocar eleições. Na última semana, uma série de protestos e prisões marcaram a rotina do Paquistão.

Ontem, pelo menos na retórica, Musharraf deu sinais de que irá ceder. Ele disse que as eleições parlamentares serão realizadas em meados de fevereiro, um mês após a data prevista inicialmente.

Musharraf decretou estado de emergência sob o argumento de que a interferência do Judiciário impedia a luta contra os extremistas.

No entanto, a oposição e os países ocidentais o acusam de arrumar um pretexto para manter-se no poder no momento em que se aproximam as eleições legislativas e sua popularidade está minada.

Com France Presse, e Associated Press

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