Governo do Paquistão suspende prisão domiciliar de ex-premiê
da Folha Online
A ex-premiê e líder da oposição no Paquistão, Benazir Bhutto, foi libertada da prisão domiciliar em que se encontrava horas após ser impedida de sair de sua casa em Islamabad para liderar uma manifestação contra o estado de emergência imposto pelo ditador paquistanês, Pervez Musharraf.
O estado de emergência permite que autoridades prendam pessoas sem a necessidade de ordens judiciais, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
"A prisão domiciliar foi encerrada", pois era em resposta a uma situação de segurança muito específica e que já não existe, anunciou o secretário de Estado do Ministério do Interior paquistanês, Kamal Shah.
O governo afirmou ao longo do dia que se tratava de uma ordem de confinamento temporal para "impedir que Bhutto se expusesse a ameaças de atentado suicida muito sérias".
Mais cedo, a polícia impediu que a ex-premiê, líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP), o principal da oposição, saísse de sua casa e cercou a capital e a cidade próxima de Rawalpindi para evitar uma manifestação contra o ditador Pervez Musharraf.
Bhutto, a política capaz de realizar os maiores protestos contra a imposição do estado de emergência, apelou à polícia para deixá-la passar, sem sucesso.
"Governo paralisado"
"O governo está paralisado", gritou Bhutto aos simpatizantes do outro lado da barreira de arame farpado colocada pelos policiais. Entre os simpatizantes que foram até a casa da ex-premiê, vários foram detidos, inclusive uma mulher com flores nas mãos.
"Se ele (Musharraf) restaurar a Constituição, tirar o uniforme, desistir do comando do Exército e anunciar eleições parlamentares no dia 15 de janeiro, então estará tudo bem", afirmou, dizendo ainda que irá desafiá-lo caso não cumpra suas exigências.
Musharraf, que tomou o poder em um golpe de Estado em 1999, disse na quinta-feira que as eleições serão realizadas no dia 15 de fevereiro, um mês depois do prazo estabelecido anteriormente.
O ditador também afirmou que irá abandonar o comando do Exército e tomará posse da Presidência do país como um civil uma vez que os juizes da Suprema Corte aprovem sua reeleição.
Ainda é incerto se Musharraf, que via em Bhutto uma aliada em potencial, poderá controlar as conseqüências de sua decisão de impor o estado de emergência no sábado passado (03).
O ditador prendeu a maioria dos juizes do país e colocou os altos membros da Justiça sob prisão domiciliar. Milhares de opositores também foram presos nos protestos pelo país.
O partido de Bhutto afirma que cerca de 5.000 de seus membros foram presos nos últimos dias.
A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes em Rawalpindi, onde Bhutto planejava liderar uma manifestação. Barricadas de arame farpado foram colocadas em todas as ruas que levavam ao local da manifestação.
Com Reuters e France Presse
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