Mundo
10/11/2007 - 19h20

Chávez discute com premiê espanhol e ofusca cúpula sobre coesão

da Lusa, em Santiago do Chile

Dedicada à coesão social, a 17ª cúpula ibero-americana de chefes de Estado e de Governo terminou neste sábado, em Santiago do Chile, ofuscada por um incidente entre o presidente venezuelano Hugo Chávez e o rei Juan Carlos da Espanha.

Ontem, Chávez atacou novamente o ex-premiê espanhol José María Aznar, chamando-o de "fascista". Na sexta-feira (9), o presidente da Venezuela já havia feito um discurso polêmico em que criticava os Estados Unidos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Reuters
Chávez atacou Lula e chamou o ex-premiê espanhol Aznar de fascista
Chávez atacou Lula e chamou o ex-premiê espanhol Aznar de fascista

A polêmica subiu de tom e o rei Juan Carlos mandou Chávez se calar: "Por que não te calas?". Mas o líder venezuelano recusou a provocação, o que levou o monarca a abandonar a sala da cúpula por alguns minutos. Apesar do incidente, os chefes de Estado e de Governo de 22 países da América Latina, Portugal, Espanha e Andorra assinaram, pouco depois, a Declaração de Santiago, que tem por tema central a coesão social.

No texto, lê-se que os líderes do espaço ibero-americano "reiteram o objetivo comum de progredir até níveis crescentes de inclusão, justiça, proteção e assistência social, e a fortalecer os sentimentos de solidariedade e de identidade sociais".

Dos 24 pontos da declaração, destaca-se o Acordo Multilateral Ibero-Americano de Segurança Social. Ele pretende beneficiar cerca de 6 milhões de pessoas. O texto exorta agora aos representantes técnicos dos chefes de Estado e de Governo que "iniciem com rapidez a negociação do Acordo de Aplicação deste convênio", mas sem estipular prazos.

A declaração aponta 2008 como o "Ano Ibero-Americano contra todas as formas de discriminação" e reconhece que, para enfrentar os problemas sociais da região, é necessário "um amplo e autêntico diálogo social" entre governos, empresários e trabalhadores.

Além da Declaração de Santiago, os chefes de Estado e de Governo assinaram igualmente um Plano de Ação, que contém os mandatos para a implementação dos objetivos do texto, embora também sem apontar prazos para a sua concretização.

Do Plano de Ação, destaca-se o apelo à aprovação de uma nova iniciativa Ibero-Americana para o intercâmbio de estudantes de mestrado e doutorado, que recebeu o nome do poeta chileno Pablo Neruda. O fortalecimento das políticas públicas para a proteção integral das crianças e adolescentes é outra das metas traçadas, num plano de ação com 53 pontos.

Acompanham os documentos oficiais da 17ª Cimeira Ibero-Americana comunicados especiais sobre vários temas, como o bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba (já presente nas duas últimas cúpulas), a luta contra o terrorismo e a corrupção ou o apoio à preservação das línguas indígenas.

A Cimeira Ibero-Americana do próximo ano realiza-se em El Salvador. Já em 2009 será organizada por Portugal, ano em que terá como temas a inovação e o conhecimento.

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