Mundo
10/11/2007 - 20h15

Rei da Espanha se irrita com Hugo Chávez e abandona reunião de cúpula

da Efe, em Santiago do Chile

Nunca até agora se tinha visto o rei Juan Carlos 1º da Espanha tão irritado em público, mas os reiterados ataques do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao ex-presidente do governo espanhol José María Aznar provocaram uma reação insólita do monarca. O rei, sem ter a palavra, lançou um furioso "Por que você não se cala?".

Em teoria, Juan Carlos 1º era um mais dos ouvintes na última reunião de trabalho. A seu lado, o atual presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, era o encarregado de defender os interesses da Espanha, se fosse necessário --como foi.

Juan Carlos 1º, sentado entre Zapatero e o ministro do Exterior, Miguel Ángel Moratinos, escutava os discursos sério e com gesto de desgosto. Quando viu que o venezuelano interrompia mais uma vez a fala de Zapatero, se debruçou para mandar Chávez se calar.

Este depois defendeu o direito de seu país a responder no momento oportuno. Chávez foi defendido pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Nesse momento, o monarca espanhol, em um gesto sem precedentes, levantou-se e deixou o plenário irritado, em protesto pelo que considerou como ataques à Espanha.

Em uma primeira reação, o presidente do Peru, Alan García, que foi um dos primeiros a deixar a cúpula, manifestou solidariedade a Juan Carlos 1º. Outros chefes de Estado, como o colombiano, Álvaro Uribe, aplaudiram a perseverança do rei, que em janeiro completa 70 anos.

A tensão entre Espanha e Venezuela começou na sexta-feira, quando Chávez criticou o Aznar, chamando-o de "fascista". Zapatero pediu respeito com o antecessor por ter sido eleito democraticamente, e a Venezuela recebeu um chamado de atenção em particular por parte do rei.

O monarca é o único chefe de Estado que assistiu a todas as 17 edições da cúpula. Nos dois dias anteriores em Santiago, ele defendeu a necessidade de promover a inclusão social, tema desta edição, para acabar com as desigualdades e tinha pedido a unidade para avançar juntos.

Esta manhã, os chefes de Estado e do Governo de 22 países estavam na última sessão plenária da 17ª edição da Cúpula Ibero-americana. Hoje, não estava previsto nenhum discurso do rei.

 

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