Paquistão põe ex-premiê sob prisão domiciliar novamente
da Folha Online
As autoridades paquistanesas ordenaram na madrugada desta terça-feira, na hora local, a prisão domiciliar por sete dias da ex-premiê Benazir Bhutto, para impedir que participasse de manifestação proibida, anunciaram fontes oficiais.
Segundo o comandante da polícia de Lahore, Aftab Chima, "tentamos entregar a ordem a ela, mas não estava disponível para recebê-la".
Mais cedo, as autoridades do Paquistão haviam proibido Benazir Bhutto, líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP), o principal da oposição, de organizar nesta terça-feira uma "longa marcha" para protestar contra o estado de emergência no país.
O Estado de emergência foi imposto no último dia 3 pelo ditador Pervez Musharraf. A medida permite que autoridades prendam pessoas sem ordens judiciais, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
A polícia chegou a avisar Bhutto de que ela poderia ser mais uma vez alvo de um atentado se realizasse sua marcha entre Lahore (leste) e Islamabad. Durante o percurso, de três dias, milhares de partidários se juntariam a ela, segundo seu partido.
As autoridades já haviam impedido sexta-feira a realização de uma reunião do partido da ex-primeira-ministra na periferia de Islamabad, e colocado Bhutto em prisão domiciliar alegando "ameaças precisas de atentado" contra ela.
Bhutto, que rompeu, como anunciou nesta segunda-feira, negociações com o presidente Pervez Musharraf para uma futura divisão do poder, foi alvo em 18 de outubro do atentado mais mortífero da história do Paquistão, no qual morreram 139 pessoas.
"Existe uma ameaça de atentado suicida, dirigida especificamente contra ela", declarou à agência de notícias France Presse o chefe da polícia de Lahore, Malik Mohammad Iqbal, evocando uma "ameaça muito séria, iminente e das mais graves".
Eleições parlamentares
A oposição paquistanesa faz pressão para que Musharraf dê fim ao estado de emergência, dizendo que as eleições parlamentares previstas para janeiro "não terão validade" caso o regime civil não seja plenamente restabelecido.
Vários partidos políticos prometem boicotar o pleito. Neste domingo, Musharraf prometeu realizar eleições em janeiro, mas não deu prazo para o fim do estado de emergência no país.
Segundo ele, as medidas são "necessárias para garantir que as eleições sejam justas e transparentes", e para acirrar o combate à ameaça do extremismo no Paquistão. Bhutto aprovou a data prevista para o pleito, 9 de janeiro, mas disse que a campanha será "difícil".
Raja Zafarul Haq, presidente do partido do ex-premiê Nawaz Sharif, exigiu a restituição da ordem constitucional, a recolocação de juízes afastados dos cargos por Musharraf e a libertação de presos, além da permissão para que Sharif volte para o Paquistão. Ele voltou recentemente de um exílio de sete anos na Arábia Saudita, mas foi deportado horas depois.
"Sob as atuais circunstâncias, é muito difícil acreditar que haverá eleições justas no país", disse Haq à agência de notícias Associated Press.
"Na próxima semana, haverá reuniões, e decidiremos se iremos às urnas ou às ruas".
Liaqat Baloch, secretário-geral do principal partido islâmico do país, Jamaat e Islami, afirmou que sua organização analisa a possibilidade de boicotar as eleições. "Se houver estado de emergência e não houver Constituição, é impossível que a votação seja livre e justa".
Com France Presse, Efe e Reuters
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