Mundo
13/11/2007 - 09h31

Mesmo sem Bhutto, marcha contra Musharraf tem início no Paquistão

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da Folha Online

A detenção de 200 membros do PPP (Partido Popular do Paquistão) e o confinamento da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto não foram capazes de impedir a marcha em protesto contra o governo do ditador do Paquistão, Pervez Musharraf.

Mesmo sem Bhutto, a caravana -- de Lahore (leste do país) a Islamabad -- teve início sob liderança do líder do PPP em Punjab, Shah Mahmood.

"Se me prenderem também, outros líderes do partido encabeçarão o movimento pela democracia", afirmou Mahmood. Segundo ele, a marcha chegou a ser detida pela polícia brevemente, mas conseguiu passar.

Centenas de pessoas juntaram-se ao movimento e, segundo expectativas de Mahmood, haverá adesão maior ao longo do trajeto de 270 quilômetros.

Anjum Naveed/AP
Advogados paquistaneses participam hoje de protesto contra estado de emergência no país
Advogados paquistaneses participam hoje de protesto contra Musharraf; estado de emergência não contém manifestações

Hoje, a ex-premiê aumentou o tom contra Musharraf e exigiu que o ditador abandone a chefia do Estado e das Forças Armadas, ao considerar que o general "foi longe demais".

"Musharraf deveria renunciar como chefe do Exército e como presidente", disse a ex-governante, em Lahore, no leste do país. Ela recebeu nesta madrugada uma ordem de prisão domiciliar, quando se preparava para liderar uma manifestação de protesto contra o estado de exceção.

Em declarações dadas na casa onde está confinada, em Lahore (leste do país), Bhutto afirmou que o presidente acabou "com o caminho da democracia" no Paquistão.

A ex-primeira-ministra, segundo o canal Dawn, afirmou que o Partido Popular do Paquistão (PPP), que ela lidera, não mantém conversas com o general, "nem direta nem indiretamente".

Foi uma referência ao acordo de poder compartilhado que vinha sendo negociado há meses. Ela também opinou que os EUA "agem bem ao pressionar Musharraf a voltar à democracia". Mas considerou que o general, que declarou o estado de exceção no Paquistão no último dia 3, "não está escutando" os seus próprios aliados.

Akbar Baloch/Reuters
Partidários de Benazir Bhutto queimam móvel para protestar contra a prisão da ex-premiê paquistanesa
Partidários de Benazir Bhutto queimam móvel para protestar contra a prisão domiciliar da ex-premiê paquistanesa, decretada ontem

Bhutto está retida na casa de um dirigente do PPP. O governo regional de Punjab emitiu uma ordem de prisão domiciliar contra ela, válida por uma semana. As autoridades isolaram as ruas próximas com barricadas e cercas de arame farpado, com centenas de policiais reforçando a vigilância.

As medidas, afirma o governo, foram tomadas para garantir a segurança da líder oposicionista. As forças de segurança lançaram ontem à noite uma batida em Lahore e detiveram cerca de 200 ativistas do PPP.

Em todo o Punjab são cerca de 3.000 militantes de oposição detidos, segundo um porta-voz do partido.

Eleições

Bhutto disse que seu partido deverá boicotar as eleições parlamentares previstas para acontecer em janeiro de 2008 e sugeriu que poderia formar uma aliança com o outros líderes da oposição, incluindo o ex-premiê Nawaz Sharif, para restabelecer a democracia no país.

"É improvável que o PPP venha a participar dessas eleições", disse Bhutto por telefone a um grupo de repórteres hoje.

Para os principais membros da oposição, o ditador paquistanês poderá manipular o pleito ao manter o país sob estado de exceção.

"Não se pode conversar com quem suspende a Constituição, impõe um estado de emergência e oprime o Judiciário", disse Bhutto ontem à imprensa na cidade de Lahore, em declarações citadas pelo canal de televisão Dawn News.

Com France Presse, Associated Press e Reuters

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