Bhutto ficará detida no Paquistão; outro líder da oposição é preso
da Folha Online
A ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto permanecerá sob prisão domiciliar por ao menos mais um dia, informaram fontes do governo.
Um segundo líder da oposição, o ex-jogador de críquete Imran Khan, foi detido após participar de uma manifestação em Lahore.
Khan --que estava foragido desde que escapou da prisão domiciliar, um dia após a decretação do estado de emergência, no último dia 3-- foi detido e está sendo mantido em um local não-revelado. Ainda não se sabe de que crimes ele deverá ser acusado.
| Rahat Dar/Efe |
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| O ex-jogador de críquete e líder da oposição Imran Khan (centro) é detido durante ato em Lahore; Bhutto permanece presa em casa |
Líder de um partido pequeno de oposição, ele era o único dos principais críticos de Musharraf que continuavam em liberdade no país. Ele havia concedido várias entrevistas de locais secretos antes de decidir participar do ato estudantil, na Universidade de Punjab.
Também nesta terça-feira, autoridades colocaram Bhutto em um segundo dia de prisão domiciliar. A ex-premiê afirmou hoje que trabalha ao lado do também ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif, que está exilado na Arábia Saudita desde 1999, quando foi expulso do país.
Ela exigiu que Musharraf renuncie. "Peço que o general deixe o poder e abandone a lei marcial", disse ela. "Eu não poderia ser premiê com Musharraf como presidente", afirmou.
A detenção de Bhutto impediu que ela liderasse uma manifestação na capital, Islamabad.
O protesto teve início mas foi rapidamente contido pela polícia, gerando confrontos.
A ex-premiê afirma que milhares de seus partidários foram presos. Autoridades paquistaneses negam, no entanto, detenções em larga escala.
Renúncia
Em entrevista ao jornal americano "New York Times", Musharraf disse que Bhutto "não tem o direito" de pedir que ele renuncie, e que ela estaria "exagerando" seu próprio apoio popular.
"Vamos realizar as eleições e ver se ela as vencerá", afirmou o ditador na entrevista.
Em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", ele afirmou que Bhutto foi erroneamente considerada a "campeã da democracia". "Isto é uma imagem falsa", afirmou ele.
Musharraf não estabeleceu prazo para o fim do estado de emergência.
No domingo (11), ele sinalizou que pretendia realizar a votação sem suspender a proibição a manifestações públicas e outros direitos, o que colocaria em cheque a validade do pleito.
O ditador alega que o estado de emergência é necessário para deter a crise política, e alega que o Poder Judiciário prejudicava os esforços de seu governo para deter o extremismo. No entanto, críticos o acusam de ter feito uma manobra política para manter-se no poder.
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