Ao menos 33 extremistas islâmicos e dois soldados morrem no Paquistão
da Folha Online
Ao menos 33 combatentes islâmicos ligados à rede terrorista Al Qaeda e ao Taleban, além de dois soldados, morreram nesta quarta-feira, em diferentes confrontos no vale de Swat, no noroeste do Paquistão, informou o Exército à agência de notícias France Presse.
Em um balanço anterior, os militares garantiram ter matado 16 insurgentes, atingindo vários deles com granadas em suas posições sobre as colinas.
Ao menos 17 combatentes fundamentalistas morreram em um caminhão que caiu de um barranco, após ser atacado por tiros dos militares, informou o general Waheed Arshad, porta-voz do Exército.
Dois soldados foram vítimas de um tiro de foguete sobre o aeroporto de Saidu Sharif, uma das principais cidades do vale de Swat.
Mais cedo nesta quarta-feira, o general Arshad anunciou que helicópteros de combate haviam bombardeado vários abrigos dos insurgentes, ligados a um líder fundamentalista, que tomaram quase que totalmente o distrito de Swat, forçando o recuo, sem resistência, das tropas paramilitares e dos policiais encarregados de garantir a segurança na área. Segundo ele, os bombardeios mataram 16 combatentes islâmicos.
"Tropas no terreno foram deslocadas após os bombardeios e farão movimento se for necessário", acrescentou.
O Exército retomou a direção das operações no início da semana no vale de Swat, após a fuga ou a rendição dos paramilitares e dos policiais, e se prepara para lançar uma contra-ofensiva de maior envergadura para recuperar o terreno perdido, anunciou o ditador Pervez Musharraf, no domingo.
Swat fica a apenas 120 km de Islamabad. O vale, que costuma atrair turistas em razão de suas paisagens, se tornou símbolo da "talebanização" do país, de acordo com a imprensa e a oposição ao general Musharraf.
Eleições
Nesta quarta-feira, Musharraf afirmou que os políticos que atualmente estão presos poderão participar das eleições parlamentares de janeiro, contanto que não pratiquem qualquer tipo de "agitação ou violem as regras".
Nesta quarta, um segundo líder da oposição, o ex-jogador de críquete Imran Khan, foi detido após participar de uma manifestação em Lahore.
Ele estava foragido desde o último dia 4, um dia após a decretação do estado de emergência, e era um dos únicos críticos do ditador que continuavam em liberdade.
Em entrevista publicada nesta quarta pelo jornal francês "Le Monde", o chefe de Estado paquistanês justifica o estado de emergência em vigor no país -- "à situação anormal uma ação anormal".
"Quando a nação está a ponto de cair no abismo, o mais importante é salvá-la', disse Musharraf, destacando que o estado de emergência é "necessário" em um contexto marcado pelo terrorismo. Para ele, o Paquistão "é maior que a democracia".
O ditador disse ainda que o ex-primeiro-ministro opositor Nawaz Sharif, atualmente no exílio, não poderá participar das eleições legislativas previstas para serem realizadas até 9 de janeiro.
Musharraf não estabeleceu prazo para o fim do estado de emergência.
Benazir Bhutto
O ditador também criticou a ex-chefe de governo paquistanesa Benazir Bhutto, que foi submetida a prisão domiciliar. Ela permanecerá detida por ao menos mais um dia, informaram fontes do governo, sob alegação de que a medida visa garantir sua segurança diante da ameaça de atentados.
A ex-primeira-ministra, de acordo com o ditador paquistanês, "manipula as circunstâncias em seu favor e deforma os fatos e a realidade". Ele lamentou que os países ocidentais sejam favoráveis a ela.
Bhutto exigiu mais uma vez a renúncia de Musharraf. "Peço que o general deixe o poder e abandone a lei marcial", disse ela. "Eu não poderia ser premiê com Musharraf como presidente."
A ex-premiê afirma que milhares de seus partidários foram presos. Autoridades paquistaneses negam, no entanto, detenções em larga escala.
Extremistas
Sobre a presença de grupos de radicais islâmicos no país, Musharraf afirma que o estado de exceção permite "agir com mais liberdade" para enfrentar este problema. "Se não vencermos, haverá conseqüências para a região e para o mundo", acrescentou.
Musharraf reiterou que nem as forças dos Estados Unidos nem as da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que estão no Afeganistão terão autorização para atravessar a fronteira.
Segundo ele, a luta contra os radicais dentro do território do Paquistão é exclusiva do Exército paquistanês, que já perdeu 1.000 soldados nos confrontos.
Com France Presse
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