Oposição deve criar "coalizão democrática" no Paquistão
da Folha Online
O partido do ex-primeiro-ministro paquistanês no exílio Nawaz Sharif, a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (LMP-N), deseja conversar com a líder opositora Benazir Bhutto para criar uma grande coalizão e "restaurar a democracia" no Paquistão.
"Estamos contentes que Benazir Bhutto tenha se aproximado de nossa posição. Sempre dissemos que, com Musharraf, não pode haver eleições livres e justas, portanto estamos dispostos a colaborar para devolver a democracia ao Paquistão", disse nesta quarta-feira à agência de notícias Efe o porta-voz da LMP-N Ahsan Iqbal.
Na terça-feira, Bhutto, líder do Partido Popular do Paquistão (PPP), tinha convidado as forças de oposição a colaborar na formação de uma "grande coalizão de interesses" para enfrentar a "ditadura militar" do ditador paquistanês, general Pervez Musharraf.
"Eu gostaria de ver uma coalizão unida, é necessário uma coalizão contra Musharraf", disse a ex-primeira-ministra ao canal Dawn.
A líder do PPP está sob prisão domiciliar em sua residência de Lahore (leste) com vários dirigentes de seu partido, mas o governo alega que cercou a casa para proteger sua segurança perante a ameaça de atentados suicidas.
O porta-voz do LMP-N afirmou que o partido não terá problema em sentar com Bhutto para "restaurar a democracia".
"Bhutto tem que aceitar que os juízes destituídos voltem a seus postos e também tem que nos apoiar em nosso pedido de que Musharraf se vá. A partir deste momento, não teremos problema em sentarmos com ela e dialogar", ressaltou Iqbal.
No dia 3, Musharraf declarou o estado de emergência no Paquistão, alegando a deterioração da lei e da ordem, ingerências do Poder Judiciário no trabalho do governo e a ameaça terrorista.
O estado de emergência permite que autoridades prendam pessoas sem a necessidade de ordens judiciais, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
Com France Presse, Efe e Reuters
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