Estados Unidos já começam a admitir queda de Musharraf
da Folha Online
Os Estados Unidos já admitem a queda do ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, e discutem a situação política do país após sua saída, segundo o jornal "The New York Times".
Nesta quarta-feira, autoridades americanas --da Casa Branca, Departamento de Estado e Pentágono-- reuniram-se para definir a mensagem que o secretário do Departamento de Estado, John D. Negroponte, levará a Musharraf em encontro nesta sexta-feira, revelou o jornal norte-americano.
Uma parte do governo dos EUA afirma ser ainda possível "salvar" a aliança política entre Musharraf e a ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto. No Paquistão, porém, diplomatas e assessores do ditador e da ex-premiê dizem que a chance de um acordo entre os dois está cada vez mais remota.
A cada dia que passa, a impressão das autoridades americanas é a de que os dias de Musharraf no poder estão contados. E, nesse caso, os EUA deveriam preparar um plano de contingência para resolver a situação política-- o que incluiria recorrer aos generais do país.
De acordo com o "NYT", mais de uma dezena de oficiais em Washington e Islamabad (capital do Paquistão), que falaram ao jornal sob condição de não serem identificados, externaram dúvidas quanto à possibilidade de permanência do ditador paquistanês.
Os Estados Unidos agem com cautela, segundo um oficial citado pelo jornal. "O governo não quer encorajar um outro golpe militar no país. Porém, já começa a haver um entendimento na administração Bush de que Musharraf é parte do problema."
Esse "entendimento" é significativo, uma vez que nos últimos seis anos, Musharraf procura projetar-se como aliado fundamental do Ocidente contra extremistas islâmicos. Ele tenta também passar a mensagem de que sua saída poderia resultar na tomada de poder pelos extremistas.
Embora o noroeste do país seja reduto da Al Qaeda, as autoridades acreditam que o Exército paquistanês tem força suficiente para manter a estabilidade no país.
A tensão política no Paquistão aumentou nas últimas semanas desde que o governo decretou estado de emergência no país.
O estado de emergência permite que autoridades prendam pessoas sem a necessidade de ordens judiciais, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
Em entrevista ontem, o ditador do Paquistão disse que a medida permite "agir com mais liberdade" para enfrentar este problema. "Se não vencermos, haverá conseqüências para a região e para o mundo", acrescentou.
Com o "New York Times"
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