Mundo
16/11/2007 - 12h44

Ciclone mata mais de 400 e deixa 3,2 mi sem casa em Bangladesh

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da Folha Online

O número de mortes provocadas pelo ciclone Sidr, que arrasou o sul de Bangladesh nesta quinta-feira, já chega a 425, segundo agências internacionais. A contagem dos mortos ainda não está fechada, já que muitas zonas do país permanecem incomunicáveis.

"O cômputo pode subir rapidamente", disse o superintendente de polícia do distrito de Patuakhali, Abu Saleh M. Raihan. Algumas agências de notícias chegam a relatar mais de 550 mortes.

A maioria dos mortos é de pessoas que se refugiaram em suas pequenas casas de bambu, insuficientes para protegê-las do furacão.

O ciclone atingiu a linha litorânea do país, de onde 3,2 milhões de pessoas tiveram de ser removidas, segundo agências humanitárias. Os ventos, de até 240 km/h, destruíram casas e derrubaram árvores e redes elétricas.

Várias regiões ficaram sem luz e isoladas, inclusive a capital Dacca, informou a televisão indiana NDTV. As marés altas causadas pelo ciclone também provocaram a inundação de áreas baixas e de ilhas em 15 distritos.

O ciclone chegou ontem à noite ao sul de Bangladesh e depois se deslocou para o centro do país, onde fica Dacca, e já transformado em tempestade tropical, foi para as regiões indianas de Tripura e Assam.

Pavel Rahman/AP
Desabrigados pelo ciclone que atingiu Bangladesh procuram abrigo em Barishal, a 125 km da capital Dacca
Desabrigados pelo ciclone que atingiu Bangladesh nesta quinta-feira procuram abrigo em Barishal, a 125 km ao sul da capital Dacca

Muitas cidades, incluindo Dacca, estão sem energia elétrica e telefone devido aos fortes ventos, o que dificulta o serviço de informações à população.

O oficial do Ministério de Gerenciamento de Desastres, Dalil Uddin, disse nesta sexta-feira ser difícil estimar a extensão dos danos.

"Houve um grande estrago nas casas feitas de bambu e entre 60% e 80% das árvores foram arrancadas pela raiz durante a passagem do ciclone", disse Vince Edwards, diretor do grupo cristão de ajuda humanitária World Vision.

Segundo ele, os escombros deixados pelo ciclone bloquearam ruas e rios, impossibilitando a comunicação em diversas áreas.

"Comida, água e remédios são agora as principais urgências" para os milhares de feridos, disse Christiane Berthiaume, porta voz do programa de alimentação da ONU (Organização das Nações Unidas).

O escritório de coordenação de assuntos humanitários da ONU diz que 1.000 pescadores ainda estão desaparecidos.

Na memória dos bengaleses ainda está a imagem do ciclone que atingiu o país em 1991 e causou a morte de 150 mil pessoas, após gerar uma onda de oito metros.

Segundo os cálculos dos meteorologistas, nos últimos 125 anos, o litoral de Bangladesh foi atingido por 80 grandes tempestades, que deixaram 2 milhões de mortos e milhões de desabrigados.

A passagem do ciclone por Bangladesh ocorre depois que, nos meses de julho e agosto, o país ter sido atingido por graves inundações devido à monção, com a morte de cerca de 500 pessoas.

Com France Presse, Associated Press, Reuters e Efe

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