Ciclone Sidr mata mais de 1.000 em Bangladesh, diz ONU
da Folha Online
Socorristas lutam nesta sexta-feira para ajudar centenas de milhares de sobreviventes do Ciclone Sidr, que arrasou a costa de Bangladesh com ventos de até 240 km/h, deixando ao menos 1.100 pessoas mortas. As cidades costeiras foram destruídas e grande parte do país está sem energia elétrica.
A ONU afirmou que as informações preliminares procedentes de Bangladesh apontam que o ciclone causou ao menos mil mortes e danos "extremamente graves", ao passar pelo pequeno país asiático de 150 milhões de habitantes, que fazem do país o primeiro em densidade demográfica do mundo.
A agência de notícias local United News of Bangladesh (UNB) fala em mais de 1.100 mortos. A UNB afirma ter feito uma contagem própria, percorrendo distrito a distrito do país até chegar neste número.
"Foi um acontecimento grave, e ainda não sabemos qual vai ser o saldo de vítimas. Mas o mais provável é que a perda de vidas humanas, de casas e plantações será extremamente grave", afirmou em Nova York, o subsecretário geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes.
Pelo menos 20 mil casas ficaram danificadas e até 30 mil famílias estão desabrigadas. Números da ONU indicam ainda que 150 barcos de pesca estão desaparecidos.
"Devido à falta de eletricidade e às dificuldades nas comunicações em grande parte do país, as estimativas são muito preliminares e não se pode dizer que temos uma idéia de quanto será o saldo de mortos. Mas o que é certo é que ele cresce à medida que chega informação das zonas mais remotas", declarou Holmes.
Holmes afirmou nesta sexta que a organização separou "vários milhões de dólares" de seu fundo de emergências para responder às conseqüências da tormenta, cuja magnitude exata dos danos está sendo avaliada junto ao governo de Bangladesh.
As áreas costeiras estão também sem água potável, sistema de transporte ou conexão telefônica. "Há áreas remotas e ilhas em frente à costa às quais as equipes de resgate ainda não conseguiram chegar", disse o secretário de Gestão de Desastres, Ayub Mian.
A maioria dos mortos é de pessoas que se refugiaram em suas pequenas casas de bambu, insuficientes para protegê-las do furacão.
O ciclone atingiu a linha litorânea do país, de onde 3,2 milhões de pessoas tiveram de ser removidas, segundo agências humanitárias. Os ventos, de até 240 km/h, destruíram casas e derrubaram árvores e redes elétricas.
Após entrar na noite desta quinta-feira pelo sul de Bangladesh, O Sidr se deslocou para o centro do país, onde fica a capital Dacca, que também está sem luz. Já transformado em tempestade tropical, foi para as regiões indianas de Tripura e Assam.
O oficial do Ministério de Gerenciamento de Desastres, Dalil Uddin, disse nesta sexta-feira ser difícil estimar a extensão dos danos.
"Houve um grande estrago nas casas feitas de bambu e entre 60% e 80% das árvores foram arrancadas pela raiz durante a passagem do ciclone", disse Vince Edwards, diretor do grupo cristão de ajuda humanitária World Vision.
Segundo ele, os escombros deixados pelo ciclone bloquearam ruas e rios, impossibilitando a comunicação em diversas áreas.
Desabrigados
Grupos de ajuda humanitária se esforçam para levar alimento e remédios para centenas de milhares de sobreviventes do ciclone, afirmaram autoridades.
Segundo Hasanul Amin, que atua na área de gerenciamento de ciclones, mais de uma dezena de equipes foram mobilizadas para prestar socorro às vítimas.
"Comida, água e remédios são agora as principais urgências" para os milhares de feridos, disse Christiane Berthiaume, porta voz do programa de alimentação da ONU (Organização das Nações Unidas).
O escritório de coordenação de assuntos humanitários da ONU diz que mil pescadores ainda estão desaparecidos.
Na memória dos bengaleses ainda está a imagem do ciclone que atingiu o país em 1991 e causou a morte de 150 mil pessoas, após gerar uma onda de oito metros.
Segundo os cálculos dos meteorologistas, nos últimos 125 anos, o litoral de Bangladesh foi atingido por 80 grandes tempestades, que deixaram 2 milhões de mortos e milhões de desabrigados.
A passagem do ciclone por Bangladesh ocorre depois que, nos meses de julho e agosto, o país ter sido atingido por graves inundações devido à monção, com a morte de cerca de 500 pessoas.
Com France Presse, Associated Press, Efe e Reuters
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