Mundo
18/11/2007 - 19h03

Rei Abdullah 2º reconhece que Jordânia desenvolve programa nuclear

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da Efe, em Berlim

O rei Abdullah 2º da Jordânia revelou neste domingo que o país desenvolve um programa nuclear com fins econômicos e se disse preocupado com as poucas informações sobre as questões que serão discutidas na conferência sobre o Oriente Médio que será realizada este mês em Annapolis (Estados Unidos).

"Sim, temos um programa nuclear com fins econômicos", afirmou o monarca jordaniano em entrevista à revista "Der Spiegel" durante sua viagem à Alemanha.

"A Jordânia tem a sorte de contar com quase 3% das reservas mundiais de urânio, e não é só isso, trata-se de urânio de altíssima qualidade. Isso faz com que a opção nuclear se torne muito interessante para nós. Resumindo: sim, temos um programa nuclear", declarou Abdullah 2º.

Ele afirmou que a opção nuclear não é um caso novo para o país. "Esse tema foi recorrente nas conversas que tivemos com o Ocidente nos últimos dois ou três anos".

"O preço do petróleo afeta negativamente nossa economia e nos obriga a buscar alternativas em coordenação com a organização internacional competente", acrescentou.

O monarca jordaniano considera legítimas as propostas semelhantes de outros países árabes. "Espero que ninguém no Oriente Médio pense em outra coisa além do uso pacífico da energia atômica", comentou.

Ao ser perguntado sobre o Irã, respondeu: "Em todo caso, nenhum país árabe".

"O Irã tem ambições nucleares, o que os próprios iranianos afirmam. Em todo caso, a Jordânia tem um vizinho com capacidade nuclear", disse o rei, sem mencionar Israel diretamente.

O monarca jordaniano afirmou que a paz com Israel é "um imperativo estratégico".

"Confio, no entanto, em que uma vez que a paz no Oriente Médio seja alcançada, nossas relações comerciais melhorarão", acrescentou Abdullah 2º, que não quis arriscar uma data para um acordo entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

"Se nos próximos seis ou sete meses não ocorrer um acordo, também não haverá nos próximos quatro, cinco ou seis anos", afirmou o monarca.

"Para solucionar o conflito do Oriente Médio precisamos dos Estados Unidos e, gostemos ou não, o certo é que se passarão pelo menos dois anos até que o novo presidente americano esteja em situação de fazer algo. Por isso, é preciso aproveitar o tempo restante, como se fosse a nossa última oportunidade", acrescentou.

O rei jordaniano não quis falar muito sobre a conferência de Annapolis, EUA, a ser realizada no fim de novembro para tentar resolver o conflito entre israelenses e palestinos. "Estamos preocupados com os poucos detalhes que sabemos desta conferência", afirmou Abdullah 2º.

"Se a agenda até o começo do encontro continuar tão vaga como agora, tenho medo de que a única coisa a se esperar de Annapolis seja uma surpresa. Acho que todos nós deveríamos saber de uma maneira concreta quais temas serão tratados", afirmou o monarca.

O rei Abdullah 2º descartou a possibilidade de a "surpresa" ser uma união entre a Jordânia e a atual faixa de Gaza. "Esse modelo não é uma solução", afirmou.

"O mundo árabe não aceitaria isso e os palestinos também não. Seria uma vergonha. Além disso, Israel se colocaria em uma situação muito difícil com essa proposta", declarou o monarca.

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