Mundo
22/11/2007 - 15h06

Palestinos e israelenses não encontram plataforma comum para Annapolis

Publicidade

da France Presse, em Jerusalém

A cinco dias da conferência de Annapolis (Estados Unidos), convocada para negociar um acordo de paz no Oriente Médio, israelenses e palestinos continuam se mostrando incapazes de se entender sobre uma plataforma comum.

O jornal israelense Haaretz publicou pela primeira vez uma cópia do projeto de um documento comum que vem sendo negociado há semanas e revela um abismo persistente entre as posições das duas partes.

De acordo com o documento reproduzido pelo jornal, os palestinos querem que um tratado de paz seja concluído em um prazo de oito meses ou daqui até o fim do mandato de George W. Bush, em janeiro de 2009.

O presidente americano é considerado o mentor da visão de dois Estados separados para israelenses e palestinos.

Os palestinos, escaldados pelo fracasso dos acordos passados, dentre eles o de Oslo, exigem com insistência uma data máxima para a concepção de um tratado de paz.

"Não há acordo sobre o calendário", diz uma nota da delegação israelense sobre o texto datado de 17 de novembro.

Em uma entrevista ao jornal japonês Tokyo Shimbun, o presidente israelense Shimon Peres afirmou que um acordo com os palestinos antes do fim do mandato de Bush era, "na prática, impossível".

Por outro lado, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, reafirmou seu desejo de que surgisse um acordo antes do fim do mandato, mas ressaltou que "ninguém poderia garantir" que isso vá ocorrer.

O texto publicado pelo jornal israelense mostra ainda divergências entre israelenses e palestinos sobre "os termos de referência" de negociações futuras, notadamente a iniciativa de paz árabe reativada em março passado que os palestinos desejam incluir no texto.

Os palestinos se opõem ainda a que o texto faça referência a Israel como "a pátria do povo judeu", o que não permitiria o retorno dos refugiados palestinos postos em exílio desde a criação do Estado hebreu em 1948.

Mesmo a redação do texto é objeto de desavenças: os palestinos falam de um "documento comum" enquanto os israelenses preferem a formulação de uma "declaração comum".

O texto foi redigido por negociadores israelenses e palestinos em um encontro em Jerusalém. Ele não aborda explicitamente as questões chaves do coração do conflito, como as fronteiras, as colônias, os refugiados e o destino de Jerusalém.

A reunião de Annapolis, que será realizada em 27 de novembro pretende relançar as negociações para a criação de um Estado palestino independente.

Os Estados Unidos convidaram dezenas de países, instituições e peças-chave do processo de paz no Oriente Médio para esta conferência. O presidente George W. Bush espera que o processo de paz do Oriente Médio seja desbloqueado depois de sete anos de paralisação.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca