Aznar defende entrada de Israel na Otan
ANDREA MURTA
da Folha de S.Paulo
"Todos os jornais o citam nos últimos dias, mas estamos orgulhosos." Assim o presidente da universidade israelense Bar-Ilan, Moshe Kaveh, apresentou o ex-premiê espanhol José María Aznar (1996-2004) aos convidados de um jantar oferecido na noite de quinta-feira em São Paulo.
O "orgulho" foi respondido à altura: em palestra de cerca de 20 minutos, Aznar defendeu a entrada de Israel na Otan (aliança militar ocidental), disse que é preciso defender o país de um eventual Irã nuclear e ainda afirmou que, "apesar de 'estar' no Oriente Médio, o Estado hebreu não 'é' do Oriente Médio" _desqualificando seus vizinhos árabes.
"Venho defendendo a entrada de Israel na Otan há anos. Israel é ocidental. Aos que acham que isso traria problemas, respondo: isolar Israel trará problemas maiores ainda", disse Aznar.
As citações de jornais lembradas por Kaveh referem-se às críticas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que qualificou Aznar de fascista durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana, no Chile, há duas semanas. O episódio rendeu um bate-boca entre Chávez e o rei espanhol Juan Carlos. "Sobre isso, só digo que eu estava quieto, não fiz nada", disse o ex-premiê, provocando risos no público.
Esta foi a terceira visita do espanhol ao Brasil desde junho, quando foi convidado para um evento pelo partido DEM (ex-PFL). Em setembro, outro convite partiu do Bladex (Banco Latino-Americano de Exportação). Foi quando Aznar definiu o socialismo do século 21, preconizado por Chávez, como "o mesmo que o socialismo do século 20, só que mais chato".
Anteontem, ele voltou a criticar veladamente Chávez, mas se concentrou na defesa de Israel e nos apelos pelo combate ao terrorismo islâmico. "Eu também sou um sobrevivente do terrorismo", disse, justificando sua declarada "identificação" com o país. "A Otan precisa ter como prioridade o combate ao terrorismo."
A polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã também foi alvo de Aznar. "Se o mundo permitir um Irã nuclear, então terá de criar meios de proteger Israel", afirmou. Foi aplaudido de pé.
O Irã mantém um programa nuclear para produzir, segundo Teerã, eletricidade. Os EUA e outras potências temem que o objetivo seja a bomba.
O evento de anteontem foi realizado para divulgar a Bar-Ilan, da qual Aznar é doutor honoris-causa. O patrocínio foi do Banco Safdié, um parceiro da universidade, cujo instituto de pesquisa em Aids e câncer também comemorou 15 anos durante o jantar.
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