Ex-premiê paquistanês está de volta ao país após sete anos de exílio
da Folha Online
O ex-premiê do Paquistão, Nawaz Sharif, desembarcou em Lahore (leste do país) neste domingo.
Exilado há sete anos --desde que foi deposto pelo golpe militar liderado pelo ditador Pervez Musharraf-- Sharif poderá agora liderar localmente o partido de oposição PML-N (Liga Muçulmana do Paquistão-N).
Pressionado pela Arábia Saudita, Musharraf relutou, mas por fim assentiu com o retorno de Sharif. Ele embarcou em um jato oferecido pelo rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, acompanhado por sua mulher e seu irmão, segundo informou a rede Al Jazira.
Horas antes da chegada de Sharif na Província de Lahore, porém, a polícia paquistanesa já prendeu milhares de partidários do ex-premiê.
O país encontra-se em estado de emergência desde o último dia 3. A situação permite que autoridades prendam pessoas sem a necessidade de ordens judiciais, limitem o movimento de pessoas ou veículos, confisquem armas e fechem espaços públicos.
"Queremos que a medida tomadas no dia 3 de novembro [decretação do estado de emergência] seja revogada", afirmou Sharif em uma emissora de televisão, logo antes de sua partida, em Medina.
Além disso, o ex-premiê insiste pela libertação de todos os detidos e o retorno dos juízes destituídos a seus cargos. Sharif tentou retornar ao Paquistão em setembro passado, mas foi deportado imediatamente para a Arábia Saudita.
Juntamente com a também ex-premiê Benazir Bhutto, Sharif pretende discutir a possibilidade de boicotar as eleições legislativas, previstas para o dia 8 de janeiro.
Em Lahore, a polícia deteve partidários de Sharif, para impedir manifestações em favor do líder oposicionista. Eles ostentavam bandeiras do partido, retratos de Sharif e gritavam palavras de ordem pedindo a saída de Musharraf.
"Olhe para todos esses homens de preto", disse a pesquisadora Imran Abbas Lalika, 30, referindo-se aos policiais. "Eles estão aqui apenas para assustar o povo. As lideranças políticas deviam se livrar do general [Musharraf].
Insegurança
Neste sábado, às vésperas do retorno de Sharif, dois ataques suicidas mataram ao menos 35 pessoas na cidade paquistanesa de Rawalpindi, segundo a Associated Press.
Em um dos ataques, o suicida jogou o carro carregado de explosivos contra um ônibus que transportava o pessoal do Ministério da Defesa.
No outro atentado, o alvo foi um posto de controle nas imediações do Escritório dos Quartéis-Gerais do Exército. O suicida detonou os explosivos que levava consigo no momento em que dois militares pediram que ele parasse seu carro.
Os ataques aumentam a insegurança no país, à medida em que se aproximam as eleições legislativas.
Com France Presse, Associated Press e Reuters
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