Mundo
26/11/2007 - 13h54

Veja as questões centrais do conflito israelense-palestino

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da France Presse, em Jerusalém

Veja as principais questões que deverão ser abordadas na conferência de Annapolis, nos Estados Unidos, nesta terça-feira:

Criação de um Estado palestino

Os palestinos querem proclamar na Cisjordânia e na faixa de Gaza um Estado soberano. Israel exige que seja uma entidade desmilitarizada e reclama o controle de seu espaço aéreo e de suas fronteiras. As partes estão de acordo que Gaza e Cisjordânia, regiões separadas fisicamente, devem ser unidas de alguma forma atravessando o território israelense.

Fronteiras da entidade palestina e as colônias judias

Oficialmente, os palestinos exigem uma retirada israelense de todos os territórios ocupados desde junho de 1967, incluido Jerusalém Oriental.

Segundo o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, os palestinos querem "um Estado que tenha como base as fronteiras de 1967". "A superfície da Cisjordânia e da faixa de Gaza é de 6.205 km2 e queremos estes 6.205 km2", disse Abbas.

Os palestinos exigem que as colônias desapareçam. Em 2005, Israel retirou todos os assentamentos da faixa de Gaza e quatro implantações isoladas na Cisjordânia.

Jerusalém

Israel conquistou, em 1967, a parte oriental (árabe) de Jerusalém e se apropriou dela, já que considera esta cidade a capital eterna e indivisível do Estado de Israel. A ANP quer converter Jerusalém Oriental na capital de seu futuro Estado, e afirma que esta é uma condição não-negociável.

Nas negociações de paz de Camp David, em 2000, o primeiro-ministro israelense da época, Ehud Barak, rompeu o tabu e propôs pela primeira vez compartilhar a soberania de Jerusalém Oriental, sugerindo que os bairros periféricos árabes passem a ficar sob controle palestino.

Barak também sugeriu dar um estatuto especial à Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, lugar sagrado muçulmano construído sobre o antigo templo dos judeus.

O atual primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, sugeriu que Israel poderá ceder aos palestinos alguns bairros de Jerusalém Oriental.

Refugiados

Existem 4 milhões de refugiados palestinos, expulsos de suas casas quando foi criado o Estado de Israel em 1948. Os palestinos sempre exigiram que Israel reconheça o direito ao retorno destas pessoas, conforme indica a resolução 194 da Assembléia Geral da ONU.

Israel se nega categoricamente a conceder este "direito ao retorno" porque porá fim ao caráter judeu do Estado, mas está disposto a tolerar a instalação destes refugiados no futuro Estado palestino.

Controle da água

Israel controla 80% da camada freática, ou primeira camada de água subterrânea, da Cisjordânia. Os palestinos querem que se reparta da forma mais equitativa e argumentam que sua população cresce mais rapidamente e, além disso, sofre uma falta crônica deste recurso natural indispensável.

Caráter judeu do Estado de Israel

Olmert exige que os palestinos reconheçam Israel como o "Estado do povo judeu" em qualquer negociação de paz futura. Mas os palestinos consideram que aceitar este ponto significaria renunciar ao direito de retorno para seus refugiados a Israel.

Calendário

Os palestinos querem que se fixe uma data-limite para conseguir um acordo de paz, de preferência antes do final, em janeiro de 2009, do segundo mandato do presidente George W. Bush. Israel se nega a estabelecer um calendário, apesar do primeiro-ministro acreditar que se pode chegar a um acordo no decorrer de 2008.

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