Fazendeiros afegãos trocam cultivo de ópio por maconha
da Folha Online
Os campos da Província de Balkh, ao norte do Afeganistão, deixaram de cultivar o ópio neste ano, segundo um relatório local.
Mas basta uma rápida olhada nas terras de Mohammad Alam, por exemplo, para perceber o motivo. Suas terras estão repletas de cannabis (planta da maconha). Os fazendeiros descobriram que a "marijuana" pode ser tão lucrativa quanto o ópio, além de ter a vantagem de não estar na mira das autoridades do país.
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O cultivo de cannabis cresceu 40% no Afeganistão neste ano. A área cultivada passou de 50 mil hectares para 70 mil hectares, segundo o departamento da ONU para drogas e crime.
O crescimento acontece em pelo menos 18 das 34 Províncias afegãs, de acordo com relatório divulgada no mês passado.
No documento, Balkh aparece como exemplo de Província livre do ópio, graças à "liderança, incentivos e segurança que levaram os fazendeiros a deixar a droga para trás". Mas a cannabis também desponta como motivo de preocupação.
Um dos fazendeiros da Província, Alam, sabe que cultivar cannabis é ilegal, mas alega que este é o único meio que tem para alimentar seus filhos. Ele diz não encontrar emprego.
"E o governo não consegue estimular o mercado para plantações como algodão, melancia e verduras. Então, tenho que cultivar marijuana'".
Os traficantes de províncias como Candahar e Helmand vão ao norte comprar a maconha. Depois eles a levam para serem vendidas no Paquistão, diz Alam.
O general Khodaidad, ministro antinarcóticos, reconhece que o governo ainda não tem um controle esperado sobre a maconha.
"Esse é um grande problema para o Afeganistão", disse. "Mais pessoas ficarão viciadas. Isso [a maconha] é muito barato", afirma Khodaidad.
De acordo com a ONU, a cannabis rende por hectare uma quantidade duas vezes maior que o ópio e exige um investimento menor.
Cerca de 93% do ópio no mundo é produzido no Afeganistão.
Com Associated Press
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