Mundo
27/11/2007 - 12h54

Bush diz que é a "hora certa" para buscar a paz no Oriente Médio

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da Folha Online

O presidente americano, George W. Bush, afirmou nesta terça-feira em seu discurso de abertura da cúpula de Annapolis (EUA), que este é o "momento certo" para retomar as negociações pela paz no Oriente Médio e para a criação de um Estado Palestino.

Nesta terça-feira, a cidade americana recebe as delegações de mais de 40 países que irão se reunir para discutir o conflito israelense-palestino, em mais uma busca por soluções.

"Primeiramente, é o momento certo porque líderes palestinos e israelenses estão determinados a alcançar a paz", afirmou Bush. "Em segundo lugar, é a hora certa porque há uma batalha em curso que definirá o futuro do Oriente Médio, e não devemos ceder ao terrorismo. Em terceiro lugar, o mundo compreende a urgência em realizar as negociações".

Loay Abu Haykel/Reuters
Bush entre Abbas (à esq.) e Olmert; presidente dos EUA diz que é "hora" para buscar paz
Bush entre Mahmoud Abbas (à esq.) e Ehud Olmert; presidente dos EUA diz que é "hora certa" para buscar paz no Oriente Médio

Bush admitiu que "não será fácil" alcançar o objetivo de criar dois Estados --o de Israel e um Estado palestino-- vivendo lado a lado em paz, após décadas de conflito, mas disse que os dois lados devem "trabalhar juntos" para isso, pelo bem da população israelense e palestina.

"Hoje, tanto palestinos como israelenses compreendem que ajudar o outro lado a realizar suas aspirações é fundamental para realizar as suas próprias, e que ambos precisam da formação de um Estado palestino viável, independente e democrático", disse o líder dos EUA.
"Tal Estado permitirá que os palestinos possam viver em liberdade e com dignidade. E ajudará os israelenses a terem algo que procuram há décadas: paz com seus vizinhos".

Os palestinos --representados pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), interlocutor escolhido pelo Ocidente e por Israel após o grupo extremista islâmico Hamas tomar a faixa de Gaza em junho-- pedem o estabelecimento de um cronograma para a criação de um Estado próprio e a assinatura de uma declaração conjunta de princípios. Israel se nega a criar um calendário fixo, mas diz ser possível chegar a um acordo em 2008.

Diálogo

Bush, que reuniu-se separadamente com o premiê israelense, Ehud Olmert, e com o líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na véspera da conferência, afirmou que o objetivo do encontro não é apenas retomar o diálogo, mas também ganhar o apoio dos países árabes e da comunidade internacional para o duro trabalho que há pela frente.

A Arábia Saudita e a Síria são dois dos 16 países que participam da conferência pela paz.

"Nossa proposta aqui em Annapolis não é concluir um acordo, mas retomar o diálogo entre israelenses e palestinos", afirmou.

"Para o restante de nós, nossa tarefa é encorajar as duas partes em seus esforços, e dar o apoio do qual necessitam para que sejam bem-sucedidos".

Fracasso

Apesar do otimismo expressado por Bush, analistas duvidam que a conferência seja positiva.

Tanto Hillel Frisch, analista político e militar israelense, quanto Bassem Eid, diretor do Palestinian Human Rights Monitoring Group, entrevistados pela Folha Online, expressaram pessimismo em relação ao encontro nos EUA.

"Annapolis provará o quanto a administração Bush é um fracasso", afirmou Eid. "E todos seremos testemunhas disso, de que será um encontro fracassado entre palestinos e israelenses." Eid acredita que, com a conferência e as negociações atuais, "nada irá acontecer", e o conflito irá continuar, com os dois lados "tentando reduzir a violência perpetrada contra o outro, mas isso é algo que pode ser considerado como temporário".

"Olmert e Abbas estão olhando para os seus interesses, do que para os interesses dos seus povos. É muito triste para os palestinos e israelenses. Espero ver amanhã novas intifadas. Uma é a intifada dos israelenses contra sua própria liderança, e a outra dos palestinos, contra sua própria liderança", afirmou o analista palestino.

Na entrevista à Folha Online, Frisch afirmou ainda que a conferência em Annapolis teria como real objetivo conseguir o apoio dos países árabes a um eventual ataque contra o Irã.

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