Musharraf deixa chefia das Forças Armadas no Paquistão
da Folha Online
Após sofrer intensa pressão doméstica e internacional, Pervez Musharraf, 64, deixou a chefia do Exército paquistanês nesta quarta-feira, e deverá ser nomeado presidente civil do país.
O ditador paquistanês passou o comando das Forças Armadas para o general Ashfaq Kayani, 55, em cerimônia realizada em uma sede militar em Rawalpindi, perto da capital Islamabad.
Na cerimônia, Musharraf expressou sua tristeza por abandonar seu cargo. Mas acrescentou a sua satisfação por ver que as Forças Armadas estão "em seu melhor momento".
| Mian Khursheed/Reuters |
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| Pervez Musharraf (centro) faz saudação ao chegar à cerimônia para sua renúncia do cargo de chefe das Forças Armadas |
"Depois de vestir este uniforme durante 46 anos, digo adeus ao Exército", declarou ele. "O Exército, é a minha vida, é a minha paixão", acrescentou.
"Mas o sistema continua, pessoas vêm e vão, tudo o que é bom acaba, tudo é mortal", disse ele, que foi aplaudido pelos presentes durante o ato oficial para deixar o cargo militar.
O novo comandante-em-chefe é um dos homens mais leais a Musharraf. Nomeado subchefe do Exército no mês passado, até setembro ele era o diretor dos serviços secretos ISI.
Os partidos de oposição dos ex-premiês Benazir Bhutto e Nawaz Sharif elogiaram a renúncia de Musharraf. Ambos consideram a possibilidade de concorrer às eleições de 8 de janeiro.
Bhutto, em declarações divulgadas hoje, disse acreditar que ele "será um bom líder" militar.
"Nós esperamos que o Exército volte à sua tarefa original e não interfira na política", disse Nadir Chaudhry, porta-voz de Sharif, que foi expulso do país por Musharraf em 1999.
Musharraf, que tomou o poder em 1999 após um golpe militar, deve ser nomeado presidente civil nesta quinta-feira.
Ele deve fazer um discurso à nação depois da nomeação, quando poderá suspender o estado de emergência decretado em 3 de novembro.
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