Mundo
29/11/2007 - 12h38

Israel pode entrar em colapso sem Estado palestino, diz Olmert

da Folha Online

O premiê israelense, Ehud Olmert, afirmou nesta quinta-feira que, se não for alcançada uma solução de "dois Estados para dois povos", chegará um dia em que o Estado de Israel poderá entrar em colapso, como ocorreu na África do Sul do regime do Apartheid.

Olmert deu as declarações em entrevista ao jornal israelense "Haaretz", um dia depois do término da conferência de paz em Annapolis (EUA), na qual israelenses e palestinos expressaram sua intenção de negociar um acordo para criar um Estado palestino até 2009.

"Chegará o dia em que a solução de dois Estados não poderá se materializar, e então enfrentaremos um conflito como ocorreu na África do Sul pela igualdade no direito de voto", disse Olmert, em Washington, ao jornal israelense sediado em Tel Aviv.

O premiê ressaltou que, "quando isso ocorrer, o Estado de Israel terá acabado".

Olmert acrescentou que as "organizações judaicas, que foram a principal base de apoio nos EUA, serão as primeiras contra nós, porque dirão que não podem apoiar um Estado não- democrático, no qual não existam direitos de igualdade de voto para todos seus residentes".

Na entrevista, ele destacou que se expressou no mesmo sentido em entrevista concedida há quatro anos, quando era vice-primeiro-ministro no governo de Ariel Sharon, e revelou pela primeira vez sua proposta de retirada da maior parte dos territórios ocupados.

"Desde então, repeti de forma sistemática essas posições", acrescentou, e destacou que o povo "dirá que estou tendo problemas e que, por isso, estou tentando [realizar um processo de paz], mas os fatos devem ser tratados com justiça".

Conferência de paz

Sobre a conferência promovida pelos EUA em Annapolis, Olmert esclareceu que nela "foi alcançado mais do que poderíamos definir como expectativas israelenses, mas isso não nos livra dos obstáculos que encontraremos nas negociações, que serão difíceis, complexas e requeriam grandes doses de paciência e sofisticação".

Nas palavras do premiê israelense, "há agora um interlocutor", em referência ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

No entanto, Olmert afirmou que o presidente da ANP é "um interlocutor fraco, não qualificado e, como diz [o representante do Quarteto para Oriente Médio] Tony Blair, tem ainda que formular as ferramentas de trabalho, e poderia não conseguir realizá-lo".

"Mas é meu trabalho fazer o possível para que ele receba os instrumentos, e alcançar um entendimento sobre os principais pontos de um acordo. Annapolis não é um ponto crucial, mas é um ponto que pode servir de apoio", acrescentou.

Pesquisas

Pesquisas divulgadas por jornais israelenses apontam que apenas um em cada cinco israelenses acham que a conferência em Annapolis foi um sucesso, enquanto 80% afirmam que líderes palestinos e israelenses não conseguirão chegar a um acordo de paz em 2008.

De acordo com pesquisa do instituto Dahaf publicada pelo jornal "Yediot Ahronot", 83% dos entrevistados dizem achar que um acordo de paz não será alcançado dentro do prazo.

Questionados se o resultado da conferência foi um sucesso, 50% afirmaram que a reunião fracassou, contra apenas 18% que disseram achar que ela foi bem-sucedida. Os outros 32% responderam que a reunião não foi nem um fracasso nem um sucesso, segundo o estudo.

Uma segunda pesquisa do instituto Dialog, publicada pelo jornal "Haaretz", indica que 42% consideraram a cúpula um fracasso, contra 17% que disseram que ela obteve sucesso.

Cerca de 25% dos entrevistados disseram que ela não foi nem um sucesso nem um fracasso.
De acordo com o estudo, 53% apóiam um acordo de paz que inclua soluções para o conflito.

Nas pesquisas, foram ouvidas cerca de 500 pessoas. A margem de erro dos estudos é de 4,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Diálogo

Ontem, Olmert e Abbas voltaram a se encontrar em Washington, com a mediação do presidente americano George W. Bush, para negociações formais de paz.

Israelenses e e palestinos se comprometeram na terça-feira nos Estados Unidos a retomar as conversações congeladas há sete anos e chegar a um acordo de paz antes de 2009.

"Foi um encontro bem-sucedido", mas "os próximos passos são realmente importantes, e vamos precisar de muito trabalho, tempo e comprometimento para mantê-lo avançando", declarou a porta-voz do presidente, Dana Perino, a respeito da conferência de Annapolis.

"Entendemos o ceticismo das pessoas. Todo mundo está cético depois de tantas décadas e tentativas de tentar levar isso adiante", disse, afirmando que Bush queria sublinhar seu compromisso pessoal.

Bush, criticado por deixar de lado o processo de paz no Oriente Médio desde que assumiu a Presidência em janeiro de 2001, incentivará Abbas e Olmert "a trabalhar para fazer as pazes", segundo Perino.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca