Mundo
29/11/2007 - 21h05

Milhares de venezuelanos protestam contra reforma de Chávez

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da Folha Online

Dezenas de milhares de opositores saíram às ruas nesta quinta-feira na capital venezuelana para realizar o último e maior protesto contra a reforma socialista da Constituição, que concede novos poderes ao presidente Hugo Chávez e será submetida a referendo no domingo.

A gigantesca manifestação contra a reforma reuniu estudantes e todos os grupos políticos de oposição, sem exceção, e ocupou toda a simbólica avenida Bolívar, no centro de Caracas, até então reduto dos "chavistas".

Francesco Spotorno/Reuters
Palco da manifestação pelo "não" no plebiscito sobre a reforma constitucional
Palco da manifestação na avenida Bolívar, em Caracas, pelo "não" no plebiscito sobre a reforma constitucional promovida por Chávez

A manifestação, convocada pelo movimento universitário, partiu de quatro pontos de Caracas e é integrada, principalmente, por jovens.

Muitos manifestantes usam camisetas que mostram uma mão aberta (símbolo dos estudantes) ou a palavra "não".

O presidente dos diretórios da Universidade Central da Venezuela (UCV), Ricardo Sanchéz, disse aos jornalistas que "os estudantes têm muitas coisas para fazer e trabalhar para centralizar os esforços para o próximo dia 2 de dezembro".

Com a nova constituição, Chávez promete a "revolução na revolução" e a construção do "socialismo do século 21", com reeleição presidencial indefinida, a criação de uma economia socialista e a constituição de um poder popular baseado em comunidades autogovernadas.

O governo tem denunciado supostos planos de violência e desestabilização.

Leopoldo López, prefeito do município de Chacao e integrante do partido Um Novo Tempo (UTN), disse que a "violência só favorece o governo, porque a meta dos partidários do 'não' é a participação em massa".

Jorge Silva /Reuters
Vendedor em frente a grafiti que enaltece Chávez, pixado por partidários do "não"
Vendedor em frente a grafiti que enaltece Chávez, pichado por partidários do voto "não" no plebiscito, na capital Caracas

Um alto índice de participação daria a vitória ao "não", afirma a oposição, horas antes do final da campanha.

Segundo López, esta é uma disputa desigual, na qual a população enfrenta um Estado que emprega todas as suas forças e a sua máquina para fazer valer a vontade de Chávez.

"Se não vierem votar para rejeitar esta reforma, o 'Não' perderá", advertiu López sobre a abstenção. A vitória do "sim" levará a "Venezuela a amanhecer na segunda-feira sob um regime socialista autoritário, com o poder concentrado nas mãos de apenas um homem (...) que administrará de forma arbitrária as riquezas" do país.

Stalin González, líder estudantil da Universidade Central da Venezuela, afirmou que os jovens votam no "não" para evitar que "o país continue polarizado e com a sociedade dividida".

A última pesquisa, publicada pelo instituto privado Hinterlaces, prevê uma eleição extremamente apertada, com uma ligeira vantagem para o "não", que aparece com 46% das intenções de voto, contra 45% para o "sim".

Com France Presse

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