Mundo
30/11/2007 - 10h24

Oposição se une em final de campanha anti-Chávez

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FABIANO MAISONNAVE
da Folha de S.Paulo, em Caracas

"Sin autobuses", como não cansavam de gritar, dezenas de milhares de manifestantes se reuniram ontem no centro de Caracas para encerrar a campanha contra a reforma constitucional proposta pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, que será submetida a referendo no próximo domingo.

A maior concentração oposicionista do ano praticamente lotou várias quadras da avenida Bolívar durante toda a tarde, no mesmo local onde o presidente Hugo Chávez encerrará a sua campanha hoje --tradicionalmente, com simpatizantes vindos do interior em ônibus pagos pelo Estado.

No palanque, lideranças estudantis e de partidos da oposição a Chávez participaram pela primeira vez de um evento público juntos, revezando-se em discursos e pedindo votos contra a reforma, que, entre outras medidas, institui a reeleição indefinida para presidente.

Em evento realizado há três semanas, lideranças estudantis haviam impedido lideranças políticas, como o governador Manuel Rosales (Um Novo Tempo), de subir no palanque. Na ocasião, não houve sequer chamados ao voto, expondo uma divisão interna que só foi resolvida na semana passada.

"Como estudantes, como jovens, como venezuelanos, pedimos que as pessoas votem e que defendam seu voto", discursou o líder universitário Stálin González, da Universidade Central da Venezuela (UCV), a maior do país.

Também esteve lá Antonio Ledezma, líder do radical Comando Nacional da Resistência (CNR), que pregava a abstenção até anteontem e não participa do Bloco do Não, registrado no Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O grupo não reconhece a legitimidade do governo Chávez.

O ex-prefeito de Caracas (1996-2000) foi a única liderança a levantar a possibilidade de que haja irregularidades no domingo: "A única maneira de o 'sim' ganhar é por fraude", discursou Ledezma.

A grande ausência ficou por conta do partido Podemos. Apesar de inscrito oficialmente no Bloco do Não, nenhuma liderança da agremiação, que rompeu com Chávez no início do ano por se recusar a aderir ao Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), foi ao ato.

O principal incidente foi a determinação do CNE para que fosse retirada uma grande faixa com a imagem e uma frase do herói da independência, Simón Bolívar, sob pena de ter a transmissão ao vivo por TV proibida. Pela legislação venezuelana, as campanhas eleitorais não podem utilizar símbolos pátrios.

A frase de Bolívar, que tem sido exaustivamente usada pela oposição ao longo da campanha, diz: "Nada é tão perigoso como deixar um mesmo cidadão permanecer um longo tempo no poder".

Usando camisas com a já histórica frase "Por qué no te callas?" (com grifo no 'não'), o casal de empresários Roberto Ortega, 35, e Mariela Jimenez, 38, disse que se opõe à reforma porque não querem "um presidente vitalício". Ortega diz que votará no domingo, mas acredita que o "sim" ganhará por fraude. "Chávez só ganhou de verdade a primeira eleição, em todas as outras houve fraude." Para ele, caso Chávez vença, haverá a partir de segunda-feira "uma guerra civil".

Cobertura

Apesar da evidente participação de dezenas de milhares de pessoas, a TV estatal VTV fez uma cobertura sem transmitir os discursos e tentou mostrar que havia pouca participação.

"Estou vendo a avenida Bolívar com umas 500 pessoas", disse à VTV Diosdado Cabello, governador chavista de Miranda. Ele acusou a emissora Globovisión de fazer "um jogo de câmeras" para mostrar que havia bastante gente.

Além da reeleição indefinida, o projeto de reforma aumenta as atribuições do Executivo, como o poder de criar novas unidades territoriais, e traz benefícios sociais, como a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais.

A maioria das últimas pesquisas eleitorais mostra uma vantagem do "não", mas analistas advertem que Chávez pode revertê-la graças à sua capacidade de mobilização.

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Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (54) 16/12/2009 21h39
Ricardo Perrone (54) 16/12/2009 21h39
A ONU já perdeu a muito tempo a credibilidade! Desde sua criação somente funcionou como instrumento de pressão política e econômica para os países membros do Conselho de Segurança. Por várias vezes se manteve calada em diversos conflitos e emitiu opniões modestas e medíocris em algumas situações apenas para parecer preocupada. Só para lembrar, qual é o maior contribuinte para os cofres dessa instituição? EUA! sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2888) 12/12/2009 22h31
Antonio Fouto Dias (2888) 12/12/2009 22h31
Hugo Chaves democrata ou ditador?
Mercosul, para fazer parte dele um dos requisitos é a prática democrática no País candidato a integrá-lo, nesse contexto, cabe muito bem essa indagação.
Num país que aprova a perpétua permanência do presidente no poder, mesmo que com eleições periódicas e age autoritariamente é realmente um país democrata?
Agora a força do autoritarismo é praticado no Sistema Financeiro, com o encampamento de oito bancos privados, que passaram a serem administrados pelo governo.
Se isso é democracia, o que então é ditadura?
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José Cezário M. Aschar (21) 12/12/2009 12h58
José Cezário M. Aschar (21) 12/12/2009 12h58
Sr. Fernando Ferreira, o seu comentário é excelente!
O papel ideológico(?) dos EEUU é mesmo submeter os demais países do mundo aos seus caprichos, subestimando a todos, até mesmo os demais países industrializados.
Nem mesmo Obama, infelizmente, não será capaz de quebrar os paradigmas.
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