"Aqui vivemos como mortos", diz Ingrid Betancourt em carta
da France Presse, em Paris
da Folha Online
"Aqui vivemos como mortos", relata a refém franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada há mais de cinco anos pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em uma carta a sua família, segundo trechos divulgados neste sábado.
"Estou mal fisicamente. Não consigo me alimentar. Meu apetite está bloqueado. Meus cabelos estão caindo aos montes", conta a ex-candidata presidencial colombiana numa carta de 12 páginas dirigida a sua mãe, Yolanda Pulecio, cujos trechos foram divulgados neste sábado em Paris pelos comitês de apoio a Ingrid Betancourt.
"Amo a França de coração, pois admiro a capacidade de mobilização de um povo que, como dizia Camus, sabe que viver significa assumir compromissos. Todos esses anos foram terríveis, mas acho que nem estaria viva hoje se não fosse pelo compromisso que eles trouxeram a todos nós, que aqui vivemos como mortos", prossegue.
A carta é uma das provas de vida fornecidas pelas FARC e divulgadas sexta-feira pelas autoridades colombianas.
O governo colombiano informou ontem ter encontrado provas de sobrevivência (vídeos, fotografias e cartas) de um grupo de 16 reféns da guerrilha, entre eles Betancourt, após a detenção de três membros das redes urbanas da guerrilha, em Bogotá.
O alto comissário para a Paz na Colômbia, Luis Carlos Restrepo, apresentou um vídeo "doloroso e impactante" com imagens da ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt e de outros seqüestrados. A gravação não tem som. Betancourt aparece sentada, com as mãos sobre os joelhos, abatida e olhando para o chão. O vídeo tem data de 24 de outubro de 2007.
A última prova de que a ex-candidata presidencial está viva havia sido divulgada em 2003. Uma das cartas encontradas foi a escrita por Betancourt para sua mãe. Todo o material, "por se tratar de provas judiciais", segundo Restrepo, foi levado para análise e está sob custódia das autoridades judiciais.
O comissário acrescentou que, 'por razões estritamente humanitárias', o material foi posto à disposição das famílias. Serão enviadas cópias à França e aos Estados Unidos, por causa de Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, e dos reféns americanos.
'Esperamos que estas provas de sobrevivência aliviem em parte o sofrimento das famílias dos seqüestrados', disse Restrepo. Ele acrescentou que 'logo que o governo tomou conhecimento das provas achou conveniente entregá-las'.
O alto comissário disse que o governo 'não tem maiores informações sobre as pessoas capturadas' nem sabe se a intenção dos rebeldes era entregar as provas à senadora Piedad Córdoba ou ao que negociavam com as Farc a libertação dos seqüestrados.
No dia 21, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, suspendeu as negociações com as Farc, que vinham sendo mediadas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez --que reagiu "congelando" as relações com a Colômbia.
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