Mundo
03/12/2007 - 12h05

Chávez sofre derrota em referendo; EUA comemoram resultado

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da Folha Online

O subsecretário de Estado americano, Nicholas Burns, qualificou de "positivo" o resultado do referendo sobre a proposta de reforma da Constituição de 1999 na Venezuela, no qual o presidente Hugo Chávez sofreu sua primeira derrota eleitoral em nove anos.

Burns, que realiza uma visita oficial a Cingapura, disse em entrevista ao canal de TV News Asia que a notícia [da derrota de Chávez] é "positiva" e "uma vitória para os cidadãos da Venezuela".

"Nós [os EUA] sentíamos que, por meio deste referendo, Chávez seria feito presidente eternamente, e isso não é bem-visto por nós", disse Burns na entrevista.

"Em um país que quer ser democrático, o povo se expressou, e escolheu a democracia".

Autoridades americanas já demonstraram, em diversas ocasiões, sua oposição à política de Chávez na Venezuela, a quem acusam de ser uma ameaça para a estabilidade da região.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela anunciou nesta segunda-feira a vitória do "Não". Com 97% das urnas apuradas, 50,7% dos votantes --o equivalente a 4.504.354 milhões-- optaram pelo "Não", contra 49, 29% -- 4.379.392-- que escolheram o "Sim".

O resultado oficial contrariou as previsões das pesquisas de boca-de-urna, que mostravam uma vitória apertada do "Sim".

Após a derrota, Chávez atribuiu o resultado negativo à abstenção de 44,11% registrada. Dos 16 milhões de eleitores, apenas cerca de 8.800 milhões foram às urnas depositar seus votos.

"Eu compreendo e aceito que a proposta que fiz foi profunda e intensa", afirmou Chávez, ao comentar a vitória da rejeição à reforma da Constituição de 1999.

"Parabenizo os meus adversários por esta vitória. Com o coração digo a vocês que por horas estive em um dilema. Saí do dilema e já estou tranqüilo, espero que o venezuelanos também".
No palácio presidencial, ele afirmou ainda à imprensa que o resultado do referendo mostra que a democracia venezuelana "está amadurecendo", e prova que ele é um "democrata".

"Deste momento em diante, vamos manter a calma", afirmou Chávez, pedindo que não haja violência nas ruas entre partidários e opositores. "Não há ditadura aqui", acrescentou.

Oposição

Opositores à reforma --entre eles bispos católicos, grupos de defesa da liberdade de imprensa, defensores de direitos civis e empresários-- afirmam que, se fosse aceita, a proposta daria poder ilimitado a Chávez, e feriria os direitos básicos dos cidadãos.

Oposicionistas comemoraram o resultado, anunciado pouco depois da 0h (2h de Brasília).

"Esta disputa era entre a democracia e o socialismo totalitário, e a democracia venceu", afirmou o líder oposicionista Leopoldo Lopez em Caracas.

"Ao menos agora nós sabemos que Chávez deixará o poder", disse a estudante Valeria Aguirre, 22, que enfrentou bombas de gás lacrimogêneo durante manifestações.

A votação ocorreu em meio a um clima de calma, mas 45 pessoas foram detidas por crimes eleitorais, como a destruição de urnas e outros materiais, segundo o general Jesus Gonzalez, chefe militar que coordenou a segurança da votação.

Proposta

A proposta rejeitada criaria novos tipos de propriedades comunitárias, permitiria que Chávez escolhesse líderes locais para realizar um novo desenho do mapa político, e suspendesse os direitos civis durante prolongados estados de emergência.

Sem a reforma, ele não poderá concorrer à reeleição em 2012.

Outras mudanças seriam a diminuição da carga horária de trabalho de 8 para 6 horas diárias, a criação de um fundo de segurança social para os milhões de trabalhadores informais, e de conselhos regionais para que se decidisse como empregar os fundos do governo.

"É difícil aceitar isso, mas Chávez não nos abandonou, ele ainda estará lá por nós", disse a vendedora de rua Nelly Hernandez, 37, aos prantos após o anúncio do resultado.

"Ele é um homem que luta pelo povo, um homem que sofreu, que veio de baixo", afirmou o carpinteiro Carlos Orlando Vega, 47, ao sair de um centro de votação em Caracas.

Vega está entre as dezenas de milhares de venezuelanos que receberam casas providenciadas pelo governo de Chávez.

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Comentários dos leitores
O Pacificador (148) 18/11/2009 20h02
O Pacificador (148) 18/11/2009 20h02
"Presidente de TV diz que Chávez faz de tudo para levá-lo à prisão..."
E continuará fazendo...
Essa gente, odeia a imprensa livre e os direitos individuais.
A Argentina, segue pelo mesmo caminho perigoso.
O Brasil, está aos poucos sendo cercado por um "muro" de populistas e demagogos da pior espécie.
O triste é saber, que tem muita gente aqui, que adoraria ir pelo mesmo caminho dos comunistas bolivarianos.
Vão sonhando, vão sonhando...
sem opinião
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Santos Júnior (290) 18/11/2009 01h00
Santos Júnior (290) 18/11/2009 01h00
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer erigir para si um pedestal onde possa aparecer ante a Europa e os Estados Unidos como o grande patrono da governança latino-americana. Auto-suficiente e com um visível tom de desprezo, seu anúncio inconsulto feito em Londres ante os editores do Financial Times, no sentido de que ele "reunirá" em 26 de novembro Hugo Chávez e Álvaro Uribe em Manaus "para que resolvam suas diferenças", é um insulto à Colômbia e uma piada à realidade do que está ocorrendo no continente.
Depois de ter apoiado, por ação ou omissão, o expansionismo totalitário do chefe de Estado venezuelano, Lula quer dar-lhe uma virgindade e apresentá-lo como uma vítima dos Estados Unidos e da Colômbia.
É bom o sr Lula tirar o cavalinho da chuva que a festinha está prestes a terminar.
2 opiniões
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J. R. (1157) 17/11/2009 20h30
J. R. (1157) 17/11/2009 20h30
O lucro do petróleo venezuelano está indo também para a educação, hoje no dia do estudante universitário houve uma passeata nas maiores cidades venezuelanas em comemoração ao sucesso da inclusão ao curso superior de mais de 2 milhões e meio de bacharéis, sendo que em 1999 haviam apenas 166 mil. Um povo com formação saberá defender seus direitos, além de fazer o país crescer em todos os sentidos, deixando a criminalidade e a pobreza. Lula deveria olhar mais para o processo educativo venezuelano como possível modelo para o Brasil, cuja educação está crescendo apenas pelas mãos da iniciativa privada. A melhor maneira de fazer um país crescer de fato é apenas pela educação, e o lucro do petróleo, que é astronômico no Brasil, dado o preço dos combustíveis, é uma boa alavanca para o nosso processo. A Venezuela de fato passa por uma transformação, só não vê quem não quer ver. 1 opinião
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