Irã suspendeu seu programa nuclear em 2003, diz relatório dos EUA
da Folha Online
O Irã suspendeu seu programa nuclear em 2003, mas continua a enriquecer urânio e poderá produzir uma bomba nuclear entre 2010 e 2015, de acordo com um relatório da Estimativa Nacional de Inteligência (NIE) americana divulgado nesta segunda-feira.
As afirmações --contidas em um novo documento da inteligência a respeito do Irã-- representam uma mudança em relação ao relatório de dois anos atrás, quando as agência diziam acreditar que Teerã mantinha ativo seu programa de produção de armas.
"A decisão iraniana de suspender o programa nuclear mostra que o país está menos determinado a desenvolver armas nucleares do que acreditávamos em 2005", diz o texto.
De acordo com o texto, a descoberta sugere que a diplomacia foi efetiva em conter as ambições nucleares do Irã. As novas informações vêm à tona em um momento de tensão crescente entre os EUA e o Irã, que já foi qualificado pelo presidente George W. Bush como parte de um "eixo do mal", ao lado de outros países como o Iraque e a Coréia do Norte.
Apesar da suspensão do desenvolvimento de armas, Teerã não teria desistido de produzir uma bomba nuclear, porque acreditaria que tal arma facilitaria a manutenção da segurança nacional e o alcance de objetivos políticos, de acordo com a conclusão do relatório.
O país manteve o enriquecimento de urânio para seus reatores nucleares civis, o que deixa aberta a possibilidade de que o material seja desviado para atividades com fins militares.
De acordo com o documento, o Irã poderá ser capaz de obter urânio enriquecido suficiente para produzir uma arma nuclear entre 2010 e 2015.
Na Casa Branca, o assessor de segurança nacional Stephen Hadley afirmou que as descobertas confirmam que o risco de o Irã adquirir uma arma nuclear continua a ser "sério".
"A estimativa oferece a esperança de que o problema possa ser resolvido diplomaticamente, sem o uso da força, que é o que a atual administração tenta fazer", disse Hadley.
"E também sugere que o presidente [George W. Bush] segue a estratégia correta: a intensificação da pressão internacional e a tentativa de alcançar uma solução que atenda aos interesses do Irã, além da garantia dada ao mundo que o país não terá armas nucleares".
"A principal questão é esta: para que esta estratégia dê certo, a comunidade internacional deve acirrar a pressão sobre o Irã, as sanções da ONU, a pressão financeira, para que o país decida se deseja uma solução negociada", acrescentou Hadley.
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